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Marcelo Rubens Paiva, Djamila Ribeiro e Dostoiévski podem reduzir pena de Bolsonaro

29 de novembro de 2025
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Jair Bolsonaro com a cartilha que ele chama de 'kit gay'. Foto: Antonio Augusto/Câmara dos Deputados
Jair Bolsonaro com a cartilha que ele chama de 'kit gay'. Foto: Antonio Augusto/Câmara dos Deputados
Atualizado em 29/11/2025 20:54

O ex-presidente Jair Bolsonaro e outros condenados do chamado núcleo crucial da trama golpista têm a oportunidade de recorrer a um método de remição de pena incomum: a leitura de obras literárias. A medida segue a política adotada pelo Distrito Federal e já reconhecida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), colocando em pauta títulos que promovem o debate sobre democracia, ditadura e direitos humanos.

Pelas regras atuais, cada livro lido e devidamente avaliado por uma comissão reduz quatro dias da pena. No entanto, devido à natureza do inquérito, será preciso solicitar a autorização direta do ministro relator Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF). Em setembro, Moraes já havia autorizado a remição de 113 dias ao ex-deputado Daniel Silveira por atividades como leitura, estudo e trabalho.

📚 A Lista Oficial: Um Espelho do Debate Nacional

A política do DF só permite a remição de obras que constem na lista oficial elaborada pela Secretaria de Educação. Este acervo é uma ferramenta de transformação, reunindo títulos literários que abordam ativamente temas sensíveis como democracia, ditadura, racismo, gênero, cidadania e direitos humanos, além de clássicos da literatura mundial e distopias que retratam regimes autoritários.

Entre os títulos disponíveis que contrastam ironicamente com o contexto dos réus, estão o clássico distópico “1984”, de George Orwell, e o “Pequeno manual antirracista”, de Djamila Ribeiro. Outras obras de destaque na lista incluem:

  • “A autobiografia de Martin Luther King”, de Martin Luther King
  • “A cor do preconceito”, de Carmen Lúcia Campos e Sueli Carneiro
  • “A cor púrpura”, de Alice Walker
  • “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley
  • “Ainda estou aqui”, de Marcelo Rubens Paiva (que revisita as memórias da ditadura militar)
  • “A revolução dos bichos”, de George Orwell
  • “Becos da memória”, de Conceição Evaristo
  • “Canção para ninar menino grande”, de Conceição Evaristo
  • “Cartas de uma menina presa”, de Débora Diniz
  • “Crime e castigo”, de Fiódor Dostoiévski
  • “Democracia”, de Philip Bunting
  • “Futuro ancestral”, de Ailton Krenak
  • “Guerra e paz”, de Liev Tolstói
  • “Incidente em Antares”, de Érico Veríssimo
  • “Malala: A Menina Que Queria Ir para a Escola”, de Adriana Carranca
  • “Na minha pele”, de Lázaro Ramos
  • “Não verás país nenhum”, de Ignácio de Loyola Brandão
  • “O conto da aia”, de Margaret Atwood
  • “O perigo de uma história única”, de Chimamanda Ngozi Adichie
  • “O príncipe”, de Nicolau Maquiavel
  • “O sol é para todos”, de Harper Lee
  • “Presos que menstruam”, de Nana Queiroz
  • “Tudo é rio”, de Carla Madeira
  • “Um defeito de cor”, de Ana Maria Gonçalves
  • “Zumbi dos Palmares”, de Luiz Galdino
  • “1968: o ano que não terminou”, de Zuenir Ventura

Livros que promovam discriminação ou violência são terminantemente proibidos no programa.

A Estrutura da Remição pela Leitura

A participação no programa Ler Liberta é voluntária. O detento recebe o livro, tem um prazo de 21 dias para leitura e, em seguida, dez dias para entregar um relatório manuscrito.

O sistema no Distrito Federal permite a leitura de até 11 obras por ano, o que representa no máximo 44 dias de remição. A execução é rigorosa e envolve 22 professores exclusivos da Secretaria de Educação, além de comissões de validação e supervisão pedagógica.

O programa, que virou política pública em 2021, mostra crescimento constante na adesão e nos resultados, conforme os dados de livros lidos e resenhados:

  • 2023: 25.758
  • 2025 (até agora): 27.571
Vanessa Neves

Vanessa Neves

Vanessa Neves é Jornalista, editora e analista de mídias sociais do Diário Carioca. Criadora de conteúdo, editora de imagens e editora de política.

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