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Vila Clara: ato na periferia de SP pede justiça pelo assassinato de adolescente

Cantando “Espera eu chegar”, música de Kevin O Chris, cerca de 300 moradores da Vila Clara, zona sul de São Paulo, a maioria de jovens e adolescentes, marcharam pelas ruas do bairro exigindo que a Justiça alcance os responsáveis pelo assassinato do adolescente Guilherme Silva Guedes, de 15 anos. 

Entenda o caso: Após noite de protestos em SP, moradores de Vila Clara se manifestam nesta terça

À frente do ato, estava sua avó de Guilherme, Antônia Arcanjo da Silva. “Acabou com a família inteira. A mãe dele tem 4 dias que não come, que não bebe. Ela não está aguentando ficar de pé. Estou morrendo de dó dela. Foi para a corregedoria agora, não comeu nada só bebeu um pouco de água. Só Deus sabe como é que ela está de pé.”

O corpo de Guilherme foi encontrado na última segunda-feira (15), em Diadema, na Grande São Paulo. O garoto havia sido visto pela última vez na porta de sua casa. Segundo a família, dois homens armados o colocaram em um carro e o levaram. Ainda de acordo com parentes, em entrevista à Ponte Jornalismo, ao lado do cadáver do adolescente havia um tecido que seria de uma farda de policial militar, onde se lia “SD PM Paulo”.

O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil investiga o caso, que também é acompanhado pela Corregedoria da PM. 

“O que fizeram com o Guilherme… Judiaram demais dele. Dois tiros na cabeça. Acho que na hora que deram o tiro ele pôs a mão. A mão dele também está perfurada. Machucaram a cabeça dele. Judiaram demais de uma pessoa que não fez nada. Ele nunca mexeu com coisa errada”, relata a avó.

A manifestação desta terça-feira saiu da porta da casa onde vivia Guedes e seguiu até a avenida Cupecê, onde foi encerrada às 18h. A caminhada foi acompanhada por forte aparato policial, inclusive da Força Tática, grupo de elite da Polícia Militar.

Judiaram demais de uma pessoa que não fez nada. Ele nunca mexeu com coisa errada.

Após o encerramento do ato, um grupo de manifestante se destacou do grupo e seguiu para a avenida Cupecê, onde atiraram pedras e quebraram os vidros de um ônibus. 

O grupo foi dispersado pela Polícia Militar, que seguiu por pelo menos duas horas varrendo as ruas do bairro. Em diversas esquinas, moradores montaram barricadas e atearam fogo no lixo. 

Das janelas, as pessoas gritavam o nome de Guilherme Guedes. Manifestantes foram presos e levados ao 35 DP e 97 DP.

Moradores da região, que participavam


do ato, foram detidos e levados para o 97 DP. Ainda


não há informação de quantos. Após Guilherme Silva Guedes ser encontrado morto, na última segunda-feira (15), moradores da Vila Clara saíram às ruas para protestar https://t.co/HBKco38Ycq pic.twitter.com/NHJGHXxS8A

Brasil de Fato (em ?) (@brasildefato) June 16, 2020

Os protestos contra a morte violenta começaram ainda na segunda-feira. Ao menos cinco ônibus foram incendiados pela população.

Pelas ruas do bairro, moradores, que protestavam contra a morte de Guilherme Silva Guedes, foram perseguidos e agredidos por policiais militares. Agentes foram flagrados agredindo pessoas nas ruas. Em um vídeo, um homem troca socos com agentes. Em outro, um jovem é agredido por trás, com chutes, por dois policiais militares de motocicleta.

O corpo de Guilherme Guedes foi sepultado às 11h desta terça-feira no Cemitério Jardim da Paz, em Embu das Artes, na Grande São Paulo. Cerca de 60 pessoas acompanharam o velório e soltaram fogos de artifício.

::PMs são filmados torturando jovem e ameaçando comunidade em São Paulo::

Suspeitas

Moradores do bairro acusam os seguranças de uma empresa que presta serviço para a Sabesp, estatal paulista de tratamento e fornecimento de água, de assassinarem Guilherme. 

O Brasil de Fato entrou na terceirizada que presta serviço para a Sabesp e entrevistou o engenheiro responsável pelo galpão que fica nas imediações da residência de Guilherme, Osvaldo Marcheti. Segundo ele, uma empresa de vigilância privada faz a segurança do local que teria sofrido uma tentativa de invasão no sábado (13).

“Quando um funcionário chegou para trabalhar no domingo de manhã, o vigia não estava, a porta estava aberta. Aí apareceu um grupo lá do outro lado querendo saber do garoto que tinha desaparecido. Nós não tínhamos conhecimento disso. Informamos os dados da companhia privada de vigilância”, relata.

“A gente lamenta muito o que aconteceu, nada justifica. Esperamos que a polícia resolva rapidamente para que fique configurado quem é o culpado e acabe com esse problema. Estamos aqui atemorizados, fomos ameaçados e estamos muito preocupados com o que pode acontecer”, completa o engenheiro.

O Brasil de Fato buscou contato com a assessoria da Polícia Militar de São Paulo pedindo o posicionamento da corporação sobre o caso, mas até o fechamento desta reportagem não obteve resposta.

Edição: Rodrigo Chagas


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