Apesar de “bancada bolsonarista”, PP ficará na Frente Popular em Pernambuco

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Nos últimos meses o presidente estadual do PP em Pernambuco, o deputado federal Eduardo da Fonte, deu declarações a jornais e blogs sinalizando que poderia deixar a Frente Popular, coalizão de 13 siglas que comanda o Governo do Estado há 16 anos. A saída ganhou força quando Marília Arraes (Solidariedade) se laçou candidata a governadora, acompanhada pelos deputados federais André de Paula (PSD) e Sebastião Oliveira (Avante), agora pré-candidatos ao Senado e a vice de Marília. Mas, após negociar, Da Fonte decidiu que seu PP vai mesmo permanecer com o PSB.

Eduardo da Fonte (PP) declarou apoiou público a André de Paula (PSD) quando este anunciou que seria candidato ao Senado com ou sem a Frente Popular. Com a confirmação da aliança entre André e Marília, Da Fonte colocou seu partido-satélite, o pequeno PROS, formalmente chefiado por Bruno Rodrigues, para coordenar a campanha de Marília Arraes (SD).

Mas, nos primeiros dias de julho, a rusga foi contornada, e o PP vai ficar na Frente Popular. O governador Paulo Câmara nomeou Cláudio Asfora para a Secretaria de Desenvolvimento Agrário. Ele é irmão de Robeto Asfora, prefeito de Brejo da Madre de Deus que, apesar de filiado ao PL, é orientado por Eduardo da Fonte (PP). Já a secretaria de Prevenção e Combate às Drogas agora está sob o comando de Humberto Arraes, filho da deputada estadual Roberta Arraes (PP). O Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) está sob chefia de Bartolomeu Monteiro.

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Estes cargos já estavam ocupados por indicações do PP entre 2019 e 2022, mas que foram exonerados diante das ameaças de ruptura por parte de Eduardo da Fonte. Contudo, ao fazer as pazes, Da Fonte também garantiu dois novos espaços: Tito Moraes no comando do Porto do Recife e Bruno Rodrigues (PROS) na presidência da CEASA.

O que se fala é que uma outra reivindicação de Da Fonte junto a Marília e a Danilo, a principal delas, era a garantia de votos para eleger seu filho Lula da Fonte (PP) deputado federal. O jovem é dirigente partidário há três anos, escolhido pelo seu pai para presidir o diretório municipal da sigla. Desde criança é figura presente nos horários eleitorais, pedindo voto para o seu pai. No dia da votação do impeachment (2016), Eduardo da Fonte cometeu a gafe de pedir que o filho declarasse o voto (favorável ao impeachment), mas foi imediatamente alertado que aquilo era proibido.

“Frente Pró-Bolsonaro” em Pernambuco

A permanência do partido na Frente Popular significa o apoio ao pré-candidato Danilo Cabral (PSB), que por sua vez tem feito uma campanha em que é central a vinculação de sua imagem à do ex-presidente Lula. Já o PP lançou, no dia 1º de abril, a “Frente pró-Bolsonaro”, que conta com os deputados Adalto Santos, Erick Lessa, o casal Clarissa Tércio e Júnior Tércio (este vereador), o casal Cleiton Collins e Michele Collins (vereadora), além de mais dois pré-candidatos, um pastor e um militar.


O vereador Junior Tércio e a deputada Clarissa Tércio são os herdeiros da igreja Assembleia de Deus Ministério Novas de Paz e da Rádio Novas de Paz, a mais ouvida da região metropolitana / Reprodução

A divergência sobre o apoio para a Presidência da República não seria, em si, um grande problema. Mas o conjunto de bolsonaristas no estado costuma transferir o antipetismo (no plano nacional) para um movimento anti-PSB em Pernambuco, o que tende a ser mais forte com a aliança PT-PSB no estado, que tem ainda Teresa Leitão (PT) como pré-candidata ao Senado – o PP declarou apoio a André de Paula justamente contra a possibilidade de o PT assumir a candidatura ao Senado.

Os mencionados parlamentares do PP farão campanha para Danilo (PSB) e Teresa (PT)? É pouco provável. Mas eles estão autorizados a fazer campanha para um opositor, como os bolsonaristas Anderson Ferreira (PL) e Gilson Machado (PSC)? Qual será o acordo dentro do partido? Outro caso é o da vereadora e pré-candidata a deputada estadual Aline Mariano (PP), que está de cabeça na campanha de Marília Arraes (SD), de quem é amiga pessoal.

Eduardo da Fonte definiu o rumo do seu partido, mas ainda não conversou com os parlamentares, que podem se sentir prejudicados junto aos seus eleitores por terem suas imagens vinculadas à candidatura socialista. O PSB pode ter garantido o tempo de TV e rádio do PP (além de garantir para si, evita que vá para adversários), mas não parece haver qualquer garantia de lealdade por parte dos candidatos do partido.


A vereadora Michele Collins durante visita de Bolsonaro a Pernambuco, ao lado do pré-candidato a senador Gilson Machado (PSC) / Reprodução

A força do PP

Apesar de Da Fonte não ser considerado um aliado confiável pelo PSB, o PP é valioso porque detém a segunda maior bancada na Assembleia Legislativa (Alepe), com 9 deputados. A sigla também tem grande força nacional, com a segunda maior bancada da Câmara Federal (55 deputados), o que lhe confere valioso tempo de propaganda na TV, rádio e recursos dos fundos partidário e eleitoral.

Em Pernambuco, o partido foi um dos que mais cresceu nas eleições municipais de 2020. A sigla tinha 7 prefeituras e governava para 97 mil pessoas, mas subiu para 17 prefeituras sob seu comando, governando agora para 575 mil pernambucanos. O PP tem grande influência na zona da mata, onde comanda 6 prefeituras (250 mil pessoas), e no agreste, onde tem 8 prefeituras (220 mil pessoas). O maior município governado pelo PP é Santa Cruz do Capibaribe.

Em 2018 o PP obteve 284,2 mil votos para deputado federal em Pernambuco, elegendo dois deputados federais: Eduardo da Fonte e Fernando Monteiro. Na disputa da Alepe, o partido alcançou 811,6 mil votos, elegendo 10 deputados. Mas na última janela partidária, encerrada em 1º de abril, metade (5) desses deputados deixaram o PP para vestir camisas do Solidariedade, União Brasil e PSB. Para compensar os parlamentares perdidos, o PP atraiu quatro deputados, alguns deles bolsonaristas.

Fonte: BdF Pernambuco

Edição: Elen Carvalho


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