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As informações e imagens cada vez mais chocantes divulgadas a partir da Terra Indígena Yanomami, em Roraima, se tornaram símbolo da atuação do agora ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) perante os povos indígenas do Brasil. Desde antes de se tornar formalmente candidato à cadeira mais importante do país, ele demonstrou, por palavras, atos ou omissões, sua obsessão em destruir o que sobrou das terras e pessoas representantes dos povos originários.

Com as denúncias cada vez mais consistentes de que houve um processo de genocídio contra indígenas nos quatro anos em que Bolsonaro ocupou o Palácio do Planalto, outro adjetivo começou a ser usado para descrevê-lo: nos últimos dias, a palavra “monstro” ficou entre as mais comentadas nas redes sociais. Apesar de menções a uma brincadeira do programa televisivo Big Brother Brasil, o termo, por muitas vezes, levava a mensagens e imagens que remetiam a Bolsonaro.

Monstro! pic.twitter.com/lNurq5Tzyn

— Lia De Sousa (@LiaDeSousa1) January 22, 2023

Que definição pode se dar pra uma criatura que idolatra um monstro desses? pic.twitter.com/AYPiIVrka2

— Tunico (@acvalle62) January 22, 2023

A grave crise humanitária vivida pelos Yanomami foi minimizada por Bolsonaro. Em mensagem aos apoiadores em um grupo no Telegram, ele chamou o caso de “farsa da esquerda”. Ele omitiu, porém, o número de mortes violentas de indígenas, que cresceu durante seu governo. A manifestação é só mais um episódio de desprezo do ex-presidente de extrema-direita aos povos originários. Confira abaixo outros.

Ódio na Hebraica

Em abril de 2017, ainda como pré-candidato, Bolsonaro foi à Hebraica, um clube ligado à comunidade judaica no Rio de Janeiro. Em discurso que repercutiu por ataques grosseiros a quilombolas (“O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriar eles servem mais”, disse o então deputado), ele prometeu o que viria a cumprir: permitir a exploração de “riquezas” sob os territórios indígenas.

Subversão da função da Funai

Fundada em 1967 (portanto, durante a Ditadura Militar) para promover os direitos dos povos indígenas, a então Fundação Nacional do Índio (hoje Fundação Nacional dos Povos Indígenas) viveu seus momentos mais dramáticos sob o governo de Bolsonaro. Na prática, ele transformou o órgão em uma máquina de destruição dos povos que deveria defender. As coordenações foram loteadas para militares, sem interlocução com lideranças dos povos originários. 

Negligência na pandemia

Nos momentos mais agudos da pandemia de covid-19, o governo então chefiado por Bolsonaro demonstrou seu desprezo pelos povos originários. A negação da ciência se fez presente, com envio de remessas de cloroquina a terras indígenas. E, quando as vacinas ficaram disponíveis, o acesso a elas foi dificultado.

Demissão de Bruno Pereira

Quando foi assassinado junto ao jornalista britânico Dom Phillips, em 2022, o indigenista Bruno Pereira estava afastado da Funai. O motivo do afastamento, em 2019, foi, justamente, a ação dele ao combater o garimpo ilegal em terras Yanomami. Fora da Fundação, ele seguiu trabalhando em prol da causa indígena, até ser morto por pessoas ligadas à extração mineral irregular.

Mentiras para questionar o Marco Temporal

O uso de “fake news” (ou “mentiras”, em bom português) se tornou, na prática, uma política de governo de Bolsonaro. Contra os indígenas não foi diferente. Por mais de uma vez ele usou informações falsas para tentar forçar a aprovação da tese, que restringe a marcação de terras indígenas. Ele chegou a dizer que “não iria cumprir” eventual decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) caso saísse derrotado no processo.

Contra o “Dia dos Povos Indígenas”

O ódio de Bolsonaro aos povos originários se manifestou até mesmo nas coisas mais simbólicas. Em 2022, aquele que viria a ser o último ano de seu mandato, ele se esforçou para evitar que o “Dia do Índio” se tornasse, formalmente, o “Dia dos Povos Indígenas”, rejeitando a reivindicações de organizações indígenas de todo o país. Apesar disso, o veto à mudança, assinado pelo então presidente, foi derrubado. Em 19 de abril de 2023, já livres da presidência bolsonarista, os indígenas terão mais motivos para celebrar a data, agora, oficialmente, Dia dos Povos Indígenas.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

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