Brasília – A bancada do PL travou os trabalhos na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (1º) em uma tentativa de forçar a tramitação do projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. O partido lidera uma obstrução total, impedindo a realização de sessões e cancelando reuniões de comissões, incluindo a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante da Casa.
A estratégia consiste em evitar o registro de presença no plenário e nas comissões, com exceção daquelas comandadas por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, como as de Segurança Pública e Relações Exteriores e Defesa Nacional. O método busca pressionar a presidência da Câmara a colocar em pauta a anistia aos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes.
Decisão após reunião com Hugo Motta
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), tomou a decisão após se reunir com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-RJ), e não receber garantias sobre o avanço da anistia. Antes do encontro, Bolsonaro e lideranças da oposição, como Zucco (PL-RS) e Carol de Toni (PL-SC), definiram a estratégia.
Na semana passada, a legenda já havia adotado uma obstrução parcial, mas agora intensificou o bloqueio. Durante a ausência de Motta, que estava em viagem ao Japão, o primeiro-vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (PL-RJ), conduziu as sessões, facilitando a mobilização do partido.
“Nada mais importante agora”, diz Zucco
O deputado Zucco defendeu a tática, alegando que a situação exige uma reação firme.
“Para momentos de anormalidade institucional, precisamos atuar de forma muito firme. Portanto, a orientação é para obstruir todas as pautas. Nada mais importante agora do que buscar reparação para as centenas de presos e refugiados políticos do Brasil”, afirmou.
Sóstenes Cavalcante afirmou que nove partidos apoiavam a anistia e poderiam aderir à obstrução. No entanto, líderes da Câmara indicam que a pressão vem exclusivamente do PL e de deputados alinhados ao bolsonarismo.
Enquanto isso, parte do Centrão e da base governista avalia que o momento é inadequado para discutir a anistia e defende que o foco seja a pauta econômica. O distanciamento entre o Centrão e o PL se intensificou após algumas lideranças do bloco viajarem com Lula ao Japão e ao Vietnã, o que sinalizou um movimento de aproximação com o governo federal.
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Entenda o impasse sobre a anistia aos condenados do 8 de janeiro
- O PL adotou a obstrução total na Câmara dos Deputados para pressionar pela tramitação do projeto de anistia.
- A estratégia impede a votação de outras pautas e afeta o funcionamento das comissões legislativas.
- O líder do partido, Sóstenes Cavalcante, buscou apoio de Hugo Motta, mas não recebeu sinal verde para avançar com o projeto.
- Deputados do Centrão e do governo avaliam que a discussão deve ser adiada e priorizam temas econômicos.
- A divisão na Câmara reflete o afastamento entre PL e outras siglas após movimentos de lideranças com Lula.