O governo federal discute a viabilidade da Tarifa Zero no transporte público, um projeto que, se implementado em escala nacional, poderia se tornar a grande bandeira social do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a reeleição em 2026.
A proposta ganha tração após a conclusão de um estudo da Universidade de Brasília (UnB) que quantifica o custo da medida.
O levantamento, que será entregue a Lula nas próximas semanas pelo deputado federal Jilmar Tatto (PT), calcula que seria necessário um investimento anual de R$ 80 bilhões para garantir a gratuidade em todos os municípios brasileiros com mais de 50 mil habitantes.
O estudo prevê que cerca de 160 milhões de pessoas seriam beneficiadas, com a União responsável por financiar metade deste valor.

A Estratégia do “Apelo Eleitoral”
Tatto, autor do projeto de lei que formaliza a Tarifa Zero e ex-secretário de Transportes em São Paulo, defende que o tema tem um potencial de mobilização eleitoral comparável ao da ampliação da isenção do Imposto de Renda. Para o parlamentar, trata-se de uma pauta social prioritária que deve ser incorporada ao programa de governo do PT, servindo como uma “vitrine” de forte impacto direto na vida da população mais vulnerável.
Atualmente, o Brasil já conta com 138 cidades que adotam algum modelo de gratuidade. A maior delas, Caucaia (CE), tem 378 mil habitantes. A avaliação interna do PT sugere que o plano federal poderia ser iniciado com municípios-piloto, ajustando a expansão conforme a disponibilidade orçamentária.
Consenso Político e Tramitação no Congresso
Apesar da turbulência política na Câmara, Tatto argumenta que o projeto não deve ser travado. Ele sustenta que o debate sobre o colapso do transporte público criou um consenso entre prefeitos de diversos espectros políticos (incluindo direita e Centrão) de que apenas aumentar tarifas não resolve a queda no número de passageiros.
O deputado aposta que poucos parlamentares votariam contra uma medida vista como altamente popular, elevando a expectativa de que o tema ganhe relevância central nas discussões de 2026. A iniciativa se insere, portanto, em um contexto de movimentações internas do governo focadas em políticas sociais de ampla repercussão, visando a próxima corrida eleitoral.

