​São Jorge: símbolo do Rio em fé, arte e moda​

Festejos em igrejas, escolas de samba e feijoadas celebram o santo guerreiro neste 23 de abril​

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
- Editor e analista geopolítico

Neste 23 de abril, o Rio de Janeiro celebra São Jorge, reverenciado como símbolo de resistência e proteção. As homenagens ocorrem em diversas formas: missas, procissões, feijoadas, rodas de samba e expressões artísticas. A devoção ao santo transcende as igrejas, estando presente nas ruas, na moda e na cultura carioca.​

Mesmo após o falecimento do Papa Francisco, cujo nome de batismo era Jorge, as celebrações foram mantidas. O pontífice instituiu, em 2016, o feriado no Vaticano em honra ao mártir. Hoje, será homenageado na alvorada da matriz de Quintino, marcada para as 5h, uma das muitas solenidades dedicadas a São Jorge espalhadas pela cidade.​ As informações são de O Globo

Fé que move multidões

Na igreja da Praça da República, no Centro, estão programadas 12 missas a partir das 5h. O público esperado nas celebrações ultrapassa 1,5 milhão de fiéis. Além das cerimônias religiosas, a devoção se manifesta em feijoadas, festas nas escolas de samba e rodas de samba. A imagem do santo montado em seu cavalo branco é onipresente: vitrines de lojas, quadros em bares e salões de beleza, além de tatuagens nos corpos dos devotos.​

Arte na pele e na moda

O tatuador Leandro Azevedo, do Tattoo Móvel, relata a procura por tatuagens de São Jorge como forma de expressar fé. “Fazemos tatuagens das grandes às pequenas, das mais diferentes formas e para um público bastante variado”, afirma.​

Na moda, a marca Complexo B, de Beto Neves, mantém uma coleção permanente dedicada ao santo. “Com todas as desculpas a São Sebastião, São Jorge é o rei do Rio”, declara o estilista, destacando a popularidade crescente após a oficialização do feriado na cidade e no estado.​

Literatura inspirada no guerreiro

O escritor Eduardo Spohr, morador de Copacabana, lança hoje o último volume da trilogia “Santo Guerreiro”, intitulado “O Império do Leste”. A série, que já vendeu cerca de 40 mil exemplares, reconta a vida de São Jorge sob uma perspectiva histórica. “Sua resistência representa a nossa resiliência com relação às dificuldades da vida”, define o autor.​

Presença marcante no samba

No samba, São Jorge é padroeiro de várias escolas. No Império Serrano, acumula também a função de padrinho. “Quando o Império surgiu, em 1947, a escola decidiu que teria um padrinho. São Jorge foi escolhido e se tornou padroeiro e padrinho”, conta Paula Maria, vice-presidente cultural da agremiação.​

Raízes históricas e sincretismo

O historiador Luiz Antônio Simas explica que o culto a São Jorge é uma herança portuguesa, fortalecida pelo sincretismo com o orixá Ogum. “São Jorge é um santo muito próximo das pessoas. Ele pertence àquela categoria que as pessoas buscam para pedir superação de dificuldades do dia a dia”, afirma.​

Curiosidades sobre o santo

  • Imagem equestre: A associação de São Jorge com o cavalo pode ter origem no significado do nome Capadócia, que seria “terra dos belos cavalos”.​
  • Origem: Segundo Eduardo Spohr, São Jorge teria nascido em Lida, atual Israel, teoria apoiada por Edward Gibbon, autor de “Declínio e queda do Império Romano”.​
  • Sincretismo reverso: No tempo em que viveu, os cristãos perseguidos cultuavam deuses permitidos pelos imperadores, como Isis, no lugar da Virgem Maria.​
  • Lenda do dragão: A história do santo enfrentando um dragão surgiu quase mil anos após sua morte, em uma cidade da Líbia assolada por uma criatura.​
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JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.