Rio de Janeiro – A galeria de fotos em homenagem a 50 crianças mortas por bala perdida entre 2020 e 2025 voltou a ocupar um espaço na Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul do Rio de Janeiro.
A instalação, removida em dezembro por ordem do prefeito Eduardo Paes, gerou revolta entre familiares das vítimas e integrantes da ONG Rio de Paz, responsável pela homenagem. Depois de 45 dias, a prefeitura autorizou a reinstalação das imagens.
A recolocação das fotos ocorreu neste sábado (15), com a presença de familiares das vítimas. Bruna da Silva, mãe de Marcos Vinicius da Silva, morto aos 14 anos em 2018 durante uma operação policial no Complexo da Maré, participou do evento. “Espero que esse espaço receba nossos filhos com respeito e que a população cuide dessas memórias”, disse.
Pedido de desculpas e reinstalação
A retirada das fotos no fim do ano passado gerou críticas de familiares e entidades de direitos humanos. Diante da pressão, o prefeito Eduardo Paes reuniu-se com representantes da ONG Rio de Paz e familiares das vítimas. Durante o encontro, ele pediu desculpas pelo ocorrido e garantiu que a homenagem poderia ser reinstalada.
A secretária de Meio Ambiente e Clima do município, Tainá de Paula, também participou da reunião. A gestão municipal alegou que a remoção das fotos ocorreu por questões administrativas e que não havia intenção de desrespeitar as vítimas ou suas famílias.
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Emoção entre familiares
A volta das imagens trouxe alívio para parentes das crianças homenageadas. Thamires de Assis, mãe de Ester de Assis, morta aos 9 anos em um tiroteio entre traficantes em Madureira, levou girassóis para o memorial. A flor era a preferida da filha e agora acompanha sua foto na galeria. “Verem a foto dela aqui significa que ela será lembrada. Quando retiraram, foi como se a arrancassem de mim de novo”, declarou.
Entenda o caso: memorial em homenagem a vítimas de bala perdida
- O memorial homenageia 50 crianças mortas por bala perdida entre 2020 e 2025.
- A instalação foi retirada em dezembro de 2024 por ordem do prefeito Eduardo Paes.
- A remoção gerou críticas e mobilização da ONG Rio de Paz.
- Após 45 dias, a prefeitura autorizou a reinstalação da galeria.
- A nova montagem foi realizada com a participação de familiares das vítimas.