Rio Climate Action Week recebe Enviada Especial das Mulheres, Janja, e presidente da COP30, André Correa do Lago

29 de agosto de 2025
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Rio Climate Action Week recebe Enviada Especial das Mulheres, Janja, e presidente da COP30, André Correa do Lago
Divulgação
Atualizado em 29/11/2025 18:58

A Rio Climate Action week chegou a seu penúltimo ontem, quinta-feira (28/8) fazendo jus à palavra ação em seu nome. No contexto da COP30, as Enviadas Especiais Janja (Mulheres), Jurema Werneck (Igualdade Racial e Comunidades Urbanas Marginalizadas) e Denise Dora (Direitos Humanos e Transição Justa) uniram forças para realizar encontros com a sociedade civil organizada nos diferentes biomas do país. O objetivo foi promover o diálogo sobre mudanças climáticas, adaptação e resiliência. O resultado será apresentado à Presidência da COP.
 

A sede da Ação da Cidadania recebeu a sessão do Bioma Mata Atlântica, com a participação de quase cem pessoas — lideranças que estão impulsionando soluções coletivas em seus territórios — e com a presença da Ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.

 Rio Climate Action Week recebe Enviada Especial das Mulheres, Janja, e presidente da COP30, André Correa do Lago
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Já o Centro Cultural Banco do Brasil – CCB Rio foi palco do fórum Clima & Mulheres na COP. Além de painéis liderados por mulheres, uma plateia cheia e totalmente feminina destacou como elas são severamente impactadas com as mudanças do clima e debateu maneiras de trazer protagonismo para mais mulheres nas mesas de negociação.
 

Financiamento, transição energética, uso do solo, adaptação e NDCs estavam entre os temas debatidos. O evento foi promovido pelo Instituto Clima e Sociedade, em parceria com Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o Women Leading on Climate (WLOC), do We Mean Business Coalition (WMBC).
 

No painel sobre uso do solo, a advogada ambiental da rede La Clima, Ana Chagas, compartilhou dados relevantes. “Cerca de 70% da produção agrícola do Brasil é proveniente da agricultura familiar, que é geralmente gerida por mulheres, mas só 19% dessas propriedades produtivas têm as mulheres como titulares. Isso é um cenário que traz dificuldade para acesso, isso dificulta financiamentos e assistências técnica, por exemplo”, comentou.
 

Durante toda a manhã, as participantes destacaram o momento delicado que enfrentamos. “Essa vai ser a primeira COP depois que a temperatura passou de 1,5°. E estamos vivendo em um sistema multilateral que está em frangalhos, é um desafio mostrar para líderes mundiais que podemos resolver isso com diálogo e participação”, apontou Michele Ferreti, cofundadora e diretora do Instituto Alziras.
 

Alice Amorim, diretora de programa para COP30, encerrou o evento reforçando que a conferência, que será realizada em Belém, não pode funcionar apenas para diplomatas. “A COP é tão importante porque com ela vem uma virada de chave para implantação. Ela não vai mudar tudo, mas abre a visão da sociedade para um espaço internacional. Redes como essa são importantes para essa cauda longa que vem após a COP, de um trabalho que continua”, defendeu.
 

Durante a tarde, na sede da BMA Advogados, o Centro de Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) e o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) realizaram o Dia dos Minerais, dentro da programação do RCAW.
 

O fórum apresentou os primeiros resultados do projeto “O Papel do Brasil na Agenda Global de Minerais Críticos e Estratégicos”, que está sendo desenvolvido pelo CEBRI, IBRAM e diversos parceiros. A pesquisa vai mapear, apoiar, subsidiar, fomentar e evidenciar a relevância desses minérios no Brasil. O estudo ainda está em desenvolvimento e vai ser lançado em outubro.
 

O evento ainda reuniu pesquisadores e representantes do setor privado, assim como o presidente da COP30, André Correa do Lago, para discutir a conjuntura geopolítica atual no âmbito da exploração de minerais estratégicos.
 

Lago revelou a estratégia para negociação da conferência. “Negociamos para criar um roteiro com 30 prioridades. Esses são os pontos que a gente quer que o mundo entenda que já há acordo entre os países. A partir disso, a gente traz para a mesa quem a gente quer que implemente. Só vamos discutir na agenda de ação os temas que já foram aprovados. Aí, vamos em busca saber que soluções temos para esses pontos e em qual a escala”, destacou.
 

Na mesa também participaram os ex-ministros Izabella Teixeira e Raul Jungmann, que trouxeram insights sobre o cenário econômico e político.
 

“O Brasil vai sediar a COP no momento em que o mundo está vivendo uma ruptura ou reconfiguração na ordem mundial. Onde as regras estão deixadas de lado. O sistema de cooperação multilateral está derretendo. O desafio do Brasil é continuar produzindo vida e a agenda de mineração é um elemento central para as soluções”, defendeu Teixeira.
 

Já Raul Jungmann afirmou: “Nós somos cobiçados e a mineração é importante para segurança alimentar, defesa e tecnologia, transição energética, por exemplo. Mas estou animado porque o Brasil despertou para a mineração.”
 

Enquanto isso no maior aquário da América do Sul, o AquaRio, uma visita guiada em parceria com o RCAW apresentou a “Amazônia Azul” para os participantes. O passeio exibiu tanto a maravilha quanto a fragilidade: cardumes deslumbrantes de peixes e habitats coloridos, além de cenas sóbrias de corais branqueados, e a comparação gritante entre águas-vivas e sacolas plásticas, que muitas vezes enganam tartarugas ameaçadas de extinção.
 

Essas exibições vivas emolduraram as sessões que se seguiram. Leonam dos Santos Guimarães, Coordenador do Comitê Científico e Tecnológico da AMAZUL – Marinha do Brasil, explicou como mudanças climáticas, poluição e questões de soberania convergem na Amazônia Azul, o vasto território marítimo do Brasil.
 

Aspasia Camargo e Fabiano Thompson, ambos professores da UFRJ, conduziram uma discussão sobre agricultura oceânica, destacando a necessidade de produção sustentável de alimentos, controle da poluição e parcerias internacionais, particularmente com a China, para impulsionar a bioeconomia e a ciência marinhas.


O dia foi encerrado com as perspectivas do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC) e do Caminho da Energia Oceânica (OEP), mostrando como a COP30 poderia acelerar a energia eólica offshore e oceânica no Brasil. Ao vincular o papel educacional do AquaRio a esses desafios nacionais e globais, o evento destacou tanto a urgência de proteger a Amazônia Azul quanto as oportunidades para o Brasil liderar em inovação, sustentabilidade e soluções climáticas

JR Vital

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações.

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