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Desigualdade social também adoece o coração

Neste final de Setembro Vermelho, mês de conscientização sobre a saúde cardiovascular, especialistas reforçam que o risco não é igual para todos. Negros, mulheres e moradores de regiões mais pobres do Brasil morrem mais de doenças do coração.

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De acordo com o médico cardiologista Jorge Ferreira, coordenador do Laboratório de Habilidades Médicas e Simulação da Unig, os grupos mais vulneráveis são justamente os que têm menos acesso a informações de qualidade, exames preventivos e medicamentos essenciais para o controle da pressão alta e de outras doenças crônicas.

“A renda mais baixa e a baixa escolaridade reduzem o acesso a informações de qualidade, a exames preventivos e, principalmente, a medicamentos indispensáveis para o controle da hipertensão, das arritmias e da insuficiência cardíaca. Isso explica por que os índices de mortalidade cardiovascular são muito maiores nessas populações”, afirma.

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Uma doença silenciosa

Um cuidado fundamental é com a hipertensão arterial – principal porta de entrada para infartos e AVCs –, considerada uma “doença silenciosa”. Este ano, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) atualizou sua diretriz e passou a considerar como “pré-hipertensos” indivíduos com pressão entre 120×80 mmHg e 139×89 mmHg. 

“O objetivo foi chamar atenção para o risco precoce, já que mudanças simples no estilo de vida podem impedir a progressão para hipertensão de fato”, explica Jorge Júnior. “Um pré-hipertenso responde muito bem a medidas não medicamentosas, como exercícios físicos, boa alimentação e cuidado psico-emocional. Isso tem um excelente impacto no controle da pressão arterial”.

Para o especialista, o combate às doenças cardiovasculares para ser efetivo, sobretudo numa sociedade marcada pela desigualdade, precisa vir de políticas públicas:

  • Educação alimentar nas escolas;
  • Espaços públicos adequados para a prática de exercícios;
  • Campanhas contínuas de conscientização.

“É fundamental que o Estado ofereça condições para que os jovens incorporem hábitos saudáveis desde cedo e os reproduzam em casa com suas famílias”, reforça.

Embora a tecnologia avance, ela ainda não está disponível a todos. Relógios inteligentes que monitoram arritmias, saturação de oxigênio e até variações de pressão arterial já são realidade, assim como estetoscópios com inteligência artificial capazes de prever alterações cardíacas. Mas o custo elevado mantém essas inovações restritas a uma minoria. “Na rede pública, os exames de ponta ainda estão concentrados em grandes centros, longe da realidade da maior parte da população”, observa o cardiologista.

Portanto, o cardiologista pontua que a mensagem central continua simples: investimento público em prevenção e conscientização sobre estilo de vida saudável, que é o remédio mais eficaz contra as doenças do coração.

“A orientação é clara: menos alimentos ultraprocessados e mais frutas, legumes e verduras. Além disso, ao menos 150 minutos de atividade física moderada por semana já reduzem drasticamente o risco de infarto e AVC – benefícios que nenhum medicamento sozinho consegue oferecer”, conclui Jorge Júnior.

Como proteger o coração em 5 passos 

1 – Meça sua pressão regularmente

Mesmo sem sintomas, a hipertensão pode causar danos graves. Procure aferir a pressão ao menos uma vez por ano e com maior frequência se houver histórico familiar.

2 – Desembrulhe menos, descasque mais

Prefira alimentos naturais, como frutas, legumes e verduras, no lugar de ultraprocessados.

3 – Mexa-se sempre

Pratique ao menos 150 minutos semanais de atividade física moderada – pode ser caminhada, bicicleta ou dança.

4 – Cuide do seu sono e do estresse

Noites mal dormidas e níveis elevados de ansiedade aumentam o risco de hipertensão e infarto. Busque estratégias de relaxamento e, se necessário, apoio psicológico.

5 – Não fume e modere o álcool

O tabagismo multiplica o risco de doenças cardíacas, e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas também compromete o coração

JR Vital
JR Vitalhttps://diariocarioca.com/
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.
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