Atenção Primária

Pediatras podem ser inseridos na atenção primária para combater crise de desigualdade no cuidado infantil

Iniciativa visa Incorporar até quatro mil pediatras na Rede Municipal de Saúde, Priorizando Municípios Vulneráveis em Mobilização Nacional pela Garantia do Cuidado Integral.

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por...
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Cooperação técnica pode fortalecer atendimento pediátrico nos municípios - Imagem: Sumaia Villela/Agência Brasil

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) iniciaram conversas formais para estabelecer uma cooperação técnica que redefina o papel da pediatria na rede municipal de saúde. O objetivo central desta parceria é reforçar o cuidado infantil no Brasil, priorizando municípios de menor porte, por meio da inclusão de pediatras nas equipes de Atenção Primária à Saúde (APS).

A escassez de pediatras em regiões vulneráveis e a distribuição desigual de especialistas no país ameaçam o cuidado integral de 45 milhões de crianças e adolescentes. A SBP propõe a incorporação de 2 a 4 mil pediatras na APS – um movimento estratégico para reduzir a desigualdade regional e assegurar a prevenção de agravos e o diagnóstico precoce desde a base do sistema de saúde.

O encontro em Brasília reuniu dirigentes das duas entidades, marcando o avanço na formalização da proposta. A SBP entregou o resumo da Carta de Recife, um documento que condensa os anseios dos pediatras brasileiros. A Carta aponta a existência de quase 50 mil pediatras titulados para atender cerca de 45 milhões de crianças e adolescentes, mas ressalta a distribuição desigual desses especialistas, com escassez crítica nas regiões mais vulneráveis do país.

Estratégia de Inclusão e o Plano de Expansão na APS

Para combater esta desigualdade, a SBP detalha sua proposta na Carta de Recife: incorporar de 2 a 4 mil pediatras nas equipes de APS. Estes profissionais poderão atuar nas equipes de Saúde da Família, equipes e-Multi, municípios ou consórcios intermunicipais. A distribuição dos novos pediatras será ajustada conforme as condições locais de saúde e o perfil populacional de cada região. A presença regular de pediatras no primeiro nível de atenção é essencial, segundo a SBP. Ela garante um cuidado contínuo e integral a crianças e adolescentes, promovendo saúde, prevenção de agravos, diagnóstico precoce e orientação familiar adequada, particularmente crucial diante das desigualdades regionais brasileiras.



Em resposta a esta iniciativa de valorização da pediatria municipal, a SBP e suas 27 filiadas convocaram uma mobilização nacional para este domingo, 30 de novembro. O leitura “Pediatra na Atenção Primária: cuidado desde o primeiro contato” lidera a ação, que visa sensibilizar gestores públicos e a sociedade civil sobre a urgência de garantir atendimento pediátrico desde a base do Sistema Único de Saúde (SUS). O modelo proposto alcança uma dimensão cívica que remete ao princípio fundador do SUS: a equidade. Garantir a presença do especialista na porta de entrada do sistema transforma a política de saúde de reparadora para preventiva, investindo diretamente no capital humano do país. A inclusão proporciona um futuro de menor morbidade e maior produtividade, rompendo o ciclo de doenças e desigualdades que persiste nas regiões com menor IDH. A solução prioriza a criança cidadã e a Saúde Pública como alicerce do desenvolvimento progressista.

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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações.