Evolução

Rio reduz em quase 18% as mortes por aids, acompanhando queda histórica nacional

O Brasil registra o menor número de óbitos em 32 anos após o avanço da testagem e o tratamento modernizado via SUS.

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por...
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O Rio de Janeiro registrou uma queda significativa nas mortes por aids entre 2023 e 2024. O número de óbitos recuou de 1.263 para 1.040, representando uma redução de 17,7% no período.

O resultado acompanha a tendência nacional. O Brasil também reduziu em 13% os óbitos por aids, caindo de mais de 10 mil para 9,1 mil no mesmo intervalo, marcando o menor número em mais de três décadas, segundo o novo Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde.

Os números refletem os avanços em prevenção, diagnóstico e, sobretudo, no acesso gratuito a terapias de ponta oferecidas pelo SUS. Tais tratamentos tornam o vírus indetectável e, consequentemente, intransmissível.

Essa combinação permitiu ao país eliminar a transmissão vertical da doença (mãe para o bebê) como um problema de saúde pública.

A Conquista Histórica e a Transmissão Vertical

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a data como um marco. “Hoje é um dia de luta, mas também de conquista histórica: alcançamos o menor número de mortes por aids em 32 anos”, afirmou Padilha.

Ele creditou o resultado ao SUS, que oferece gratuitamente as tecnologias mais modernas de prevenção, diagnóstico e tratamento. Os avanços permitiram ao país cumprir as metas de eliminação da transmissão vertical como problema de saúde pública.

Os casos de aids no Brasil também apresentaram leve redução no período, caindo 1,5%, de 37,5 mil em 2023 para 36,9 mil no ano passado.

O Rio de Janeiro registrou 3.822 casos de aids em 2024. No componente materno-infantil, a queda foi de 7,9% em gestantes com HIV (7,5 mil) e 4,2% em crianças expostas ao vírus (6,8 mil).

A redução de 54% no início tardio da profilaxia neonatal sinaliza melhoria significativa na atenção oferecida no pré-natal e nas maternidades.

Brasil Atinge Metas Internacionais

A eliminação da transmissão vertical como problema de saúde pública foi alcançada e sustentada. O Brasil manteve a taxa de transmissão vertical abaixo de 2% e a incidência da infecção em crianças abaixo de 0,5 caso por mil nascidos vivos.

O país alcançou mais de 95% de cobertura em pré-natal, testagem para HIV e oferta de tratamento às gestantes que vivem com o vírus.

Dessa forma, o país interrompeu a infecção de bebês durante a gestação, o parto ou a amamentação, alinhando-se aos critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e atingindo as metas globais.

Em 2024, o Brasil contabilizou 68,4 mil pessoas vivendo com HIV ou aids. No Rio de Janeiro, o registro foi de 7.627 casos, mantendo a estabilidade observada nos últimos anos.

Estratégia de Prevenção Combinada e Expansão da PrEP

O Brasil adota a estratégia de Prevenção Combinada, que integra diferentes métodos contra o risco de infecção pelo HIV. Anteriormente focada em preservativos, a política hoje inclui a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) e a PEP (Pós-Exposição).

A PrEP e a PEP reduzem o risco de infecção antes e depois da exposição ao vírus.

Para engajar o público jovem, que diminuiu o uso de preservativos, o Ministério da Saúde adquiriu 190 milhões de camisinhas texturizadas e sensitivas.

Houve também uma ampliação no acesso à Profilaxia Pré-Exposição. Desde 2023, o número de usuários da PrEP cresceu mais de 150%.

Esse aumento fortaleceu a testagem e a detecção de casos, contribuindo para a redução de novas infecções. Atualmente, 140 mil pessoas utilizam a PrEP diariamente.

Diagnóstico Oportuno e Terapia Antirretroviral no SUS

A expansão no diagnóstico incluiu a aquisição de 6,5 milhões de duo testes para HIV e sífilis, um aumento de 65% em relação ao ano anterior.

Adicionalmente, foram distribuídos 780 mil autotestes, facilitando a detecção precoce e o início rápido do tratamento.

O SUS mantém a oferta gratuita de terapia antirretroviral e acompanhamento. Mais de 225 mil pessoas utilizam o comprimido único de lamivudina mais dolutegravir.

Essa combinação tem alta eficácia, melhor tolerabilidade e menor risco de efeitos adversos a longo prazo. O tratamento em dose diária única melhora a adesão e a qualidade de vida.

Os avanços aproximam o Brasil das metas globais 95-95-95. O país já cumpriu duas das três metas que preveem: 95% das pessoas com HIV conheçam o diagnóstico; 95% delas estejam em tratamento; e 95% das tratadas alcancem a supressão viral.

Fortalecimento da Governança e Participação Social

Para fortalecer a participação social, o Ministério da Saúde lançou editais inéditos que somam R$ 9 milhões. O recurso é destinado a organizações da sociedade civil, em reconhecimento ao seu papel histórico.

A pasta mantém o maior número de comissões e comitês consultivos já instituídos na área. Esse arranjo amplia a escuta da sociedade e qualifica as decisões estratégicas.

O ministério também liderou a criação de um comitê interministerial inédito. O foco está na eliminação de infecções e doenças determinadas socialmente, com destaque para a transmissão vertical do HIV e a aids.


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JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações.