Diário Carioca Google News

Imagens de uma câmera de segurança do estacionamento do Carrefour em Porto Alegre (RS) mostram que um dos seguranças responsáveis ​​pela morte do soldado João Alberto Silveira Freitas , permaneceu com o joelho pressionado contra as costas da vítima durante quatro minutos até seu falecimento na última quinta-feira (11).

O crime ocorreu no piso inferior do estabelecimento e foi testemunhado por mais de dez pessoas entre elas esposa de Freitas, Milena Borges Alves, que tentou intervir para que as agressões parassem.

Leia também: Douglas Belchior sobre Carrefour: “Foi um protesto desproporcional. Eles nos matam ”

O vigilante Magno Braz Borges e o policial militar temporário Giovane Gaspar da Silva foram presos em flagrante por homicídio triplamente qualificado e teve a prisão preventiva decretada na sexta-feira (19).

Homem negro, Freitas foi espancado pelas duas seguranças brancas e estava imobilizado no momento em que um deles permaneceu com a perna em suas costas. Análises iniciais da perícia apontam asfixia como a causa mais provável para a morte.

Leia também: Racismo e morte no Carrefour são a ponta de um iceberg envolvendo multinacionais

A cena revelada pelas câmeras do Carrefour remete ao episódio que desencadeou uma série de protestos contra o racismo nos Estados Unidos em maio deste ano. Na ocasião George Floyd, um homem negro de 28 anos, foi sufocado pelo policial Derek Chauvin até a morte . Chauvin permaneceu com o joelho pressionado contra o pescoço de Floyd durante 8 minutos e 46 segundos e ignorou os apelos da vítima dizendo que não respirar.

A morte de João Alberto Freitas foi tema de protestos contra o racismo em diversos lugares do país na sexta -feira (20) .

Freitas era pai de quatro filhos. Seu corpo foi sepultado neste sábado (20 ) no cemitério São João, distante apenas 1,7 km do local onde foi agredido até a morte , no bairro Passo D´Areia, zona norte de Porto Alegre.

“Beto”, como era chamado, teve o caixão coberto pela bandeira azul e branca do Esporte Clube São José, clube do qual era torcedor apaixonado. O sepultamento aconteceu entre orações, palmas, pedidos de justiça e gritos de indignação pelo assassinato de mais um homem negro.

Leia também: Defensoria Pública do RS: “morreu porque era negro”

Cerca de 50 pessoas acompanhamam o cortejo no interior do cemitério, da capela mortuária ao local do sepultamento, em um ambiente de inconformidade e revolta com o acontecimento. “Aquilo foi premeditado. Com uma pessoa branca, de olhos azuis, não acontece essas coisas”, desabafou o pai da vítima, João Batista Rodrigues Freitas, ao Correio do Povo .

Edição: Leandro Melito


Newsletter

Mais Noticias

leitura-pode-reduzir-a-pena-na-prisao,-mas-ainda-ha-desafios

Leitura pode reduzir a pena na prisão, mas ainda há desafios

Reduzir quatro dias de pena para cada livro lido na prisão já é possível desde 2013, por recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Uma pesquisa divulgada esta semana, mostra, no entanto, que pouca gente consegue ter acesso a esse direito. O estudo mostra que as atividades de leitura nos presídios enfrentam uma série de […]