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Cartaz do filme On The Road
Cartaz do filme On The Road

Francis Ford Coppola, Johnny Deep, Bob Dylan e eu temos algo em comum, algo que de certa forma modificou nossas vidas e nos tornou o que somos hoje. Não só a nossa, mas de toda uma geração que mudou o status quo, questionou o sistema vigente e reescreveu o comportamento social dali em diante. Do que se trata? Muito simples, é a dica de leitura da semana, a obra clássica que definiu a contracultura e pavimentou o comportamento jovem nos anos de 1960 e obra-prima da geração beatnik. Senhoras e senhores, com vocês: On The Road – Pé na Estrada, de Jack Kerouac.

Um livro que, acima de tudo, trata de busca. Busca de si mesmo e de quem você realmente é. Narrado em primeira pessoa e numa fluidez e coloquialismo pouco explorados na época de seu lançamento, 1957, a obra foge a qualquer estética literária vigente na época. No auge do american way of life e de romances que retratavam a aristocracia americana e mostrando a imagem pós-guerra do modo de vida bem sucedido da terra das oportunidades, Kerouac vai na contramão nos trazendo personagens outsiders, ou seja, os marginais, andarilhos, moradores das periferias e pequenas cidades, dos que viviam em trailers e a margem dessa América de cinema que todos conheciam.

Em estilo road movie – ou road novel – a trama narra as viagens executadas por Sal Paradise e Dean Moriarty (respectivamente Jack Kerouac e o escritor Neil Cassady) da Costa Leste até o outro lado do país e incursões pelo México. Cruzando com personagens fora dos padrões, os dois vão permeando suas experiências com muito jazz, álcool e algumas drogas criando um ambiente que muitas vezes não há como diferenciar o real e o delírio causado pelos entorpecentes.

Quando disse, logo no início, que influenciou toda uma geração é pelo fato do personagem principal seguir à risca a cartilha que virou sonho de todo hippie e mochileiro vinte anos depois. Ele larga faculdade, emprego, casa, pega os poucos tostões que possui e embarca numa viagem pelos EUA trabalhando e vivendo como é possível, mas experimentando o ápice de liberdade e vivência que alguém pode ter. disposto a dar sentido a sua vida, sai pela estrada em busca de uma razão para escrever e viver. Convive e encontra os grandes nomes da literatura beat – apresentados com pseudônimos – allen Ginsberg, Bukowski e outros que foram influentes em sua escrita.

Essa obra foi a inspiração – junto com Folhas de Relva de Whitman – do movimento hippie e todo o cenário do rock na década de 1960. Grandes nomes foram influenciados por ele. Bob Dylan, só para ficar em um exemplo, fugiu de casa (reza a lenda) aos quinze anos, depois de ler On The Road e Coppola tinha um projeto de leva-lo às telas de cinema nos anos de 1990, sendo esse um de seus livros favoritos. E até mesmo eu fui influenciado de alguma forma. Foi depois de ler Kerouac que larguei uma longa carreira em outra área profissional e abracei definitivamente o magistério, por isso disse que tínhamos algo em comum, eu e esses grandes artistas. Bem, essa é a dica da semana, até semana que vem.

Livro On The Road
Livro On The Road

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