A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) disparou duras críticas contra a PEC 12/2026, protocolada na última quinta-feira no Senado Federal pela bancada de oposição. A proposta de emenda constitucional, liderada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) e subscrita por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi rotulada pela parlamentar como a “PEC da escala 7×0”. Segundo o campo progressista, o texto caminha para desmantelar de forma definitiva os direitos consolidados na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), abrindo brechas para a exploração ininterrupta da força de trabalho sem o descanso semanal remunerado.
O movimento da extrema-direita ocorre de forma cirúrgica, exatamente um dia após a Câmara dos Deputados aprovar a histórica proposta de fim da escala 6×1. O avanço popular na Câmara baixa acendeu o sinal de alerta no andar de cima, mobilizando o topo da pirâmide econômica e seus representantes institucionais a operarem uma contraofensiva imediata no legislativo para neutralizar os ganhos da classe trabalhadora.
Liberdade abstrata e a farsa das horas flexíveis
O cerne da PEC 12/2026 apoia-se na velha retórica neoliberal da “autonomia do trabalhador”. O texto prevê que os cidadãos possam optar entre o regime tradicional protetivo da CLT e um modelo “flexível” baseado estritamente nas horas trabalhadas. Na justificativa oficial, os autores argumentam que a medida amplia a liberdade individual e harmoniza a vida pessoal com o emprego.
Contudo, a análise material da correlação de forças expõe a falácia desse discurso. Em um mercado de trabalho com desemprego estrutural e alta informalidade, a suposta livre escolha entre o patrão e o empregado inexiste. A diferença crucial denunciada por Erika Hilton reside no fato de que a reforma aprovada na Câmara reduz a jornada sem reduzir os salários, enquanto o projeto do Senado impõe o pagamento proporcional, rebaixando a remuneração real e forçando o trabalhador a estender sua presença nas empresas por sete dias semanais para compor a renda de subsistência.
Abaixo, a lista completa dos 40 senadores que endossaram a proposta patronal, enviada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP):
| # | Senador(a) | Partido / UF | # | Senador(a) | Partido / UF |
| 1 | Rogério Marinho (Autor) | PL-RN | 21 | Laércio Oliveira | PP-SE |
| 2 | Angelo Coronel | Republicanos-BA | 22 | Lucas Barreto | PSD-AP |
| 3 | Astronauta Marcos Pontes | PL-SP | 23 | Luis Carlos Heinze | PP-RS |
| 4 | Carlos Portinho | PL-RJ | 24 | Magno Malta | PL-ES |
| 5 | Carlos Viana | PSD-MG | 25 | Marcio Bittar | PL-AC |
| 6 | Ciro Nogueira | PP-PI | 26 | Marcos do Val | Avante-ES |
| 7 | Cleitinho | Republicanos-MG | 27 | Marcos Rogério | PL-RO |
| 8 | Damares Alves | Republicanos-DF | 28 | Nelsinho Trad | PSD-MS |
| 9 | Dr. Hiran | PP-RR | 29 | Oriovisto Guimarães | PSDB-PR |
| 10 | Dra. Eudócia | PSDB-AL | 30 | Plínio Valério | PSDB-AM |
| 11 | Eduardo Girão | Novo-CE | 31 | Roberta Acioly | Republicanos-RR |
| 12 | Eduardo Gomes | PL-TO | 32 | Romário | PL-RJ |
| 13 | Efraim Filho | PL-PB | 33 | Sergio Moro | PL-PR |
| 14 | Esperidião Amin | PP-SC | 34 | Sérgio Petecão | PSD-AC |
| 15 | Flávio Bolsonaro | PL-RJ | 35 | Styvenson Valentim | Podemos-RN |
| 16 | Hamilton Mourão | Republicanos-RS | 36 | Tereza Cristina | PP-MS |
| 17 | Hermes Klann | PL-SC | 37 | Vanderlan Cardoso | PSD-GO |
| 18 | Izalci Lucas | PL-DF | 38 | Wellington Fagundes | PL-MT |
| 19 | Jaime Bagattoli | PL-RO | 39 | Wilder Morais | PL-GO |
| 20 | Jayme Campos | União-MT | 40 | Zequinha Marinho | Podemos-PA |
O cerco no Senado e a necessidade de mobilização
O avanço da “PEC 7×0” na CCJ escancara o labirinto institucional que aguarda a pauta do fim da 6×1. Para que uma alteração constitucional seja promulgada, são necessários 49 votos favoráveis em dois turnos no plenário do Senado. A robusta adesão inicial de 40 parlamentares à agenda de flexibilização patronal demonstra que a burguesia detém uma bancada coesa e disposta a barrar a emancipação do tempo livre do trabalhador.
- Foco de pressão: A militância e as centrais sindicais cobram foco absoluto nos senadores listados para que retirem o apoio à medida precarizadora.
- Retaliação do Capital: O projeto se desenha como uma punição explícita das elites econômicas contra a mobilização de massa que pautou a redução de jornada.
- Risco de travamento: Caso o bloco de 40 signatários se consolide como oposição ideológica, a conquista obtida na Câmara corre o risco de ser neutralizada antes da sanção final.
A ofensiva legislativa recoloca a disputa de classes no epicentro de Brasília. O desfecho da tramitação exigirá da sociedade civil uma pressão contínua e combativa, desmascarando os discursos de modernização que visam apenas extrair mais mais-valia e ampliar a margem de lucro às custas da saúde física e mental de quem produz a riqueza do país.








