Congresso
Diário Carioca
INIMIGO DO POVO

Davi Alcolumbre articula manobras regimentais para barrar fim da escala 6×1 no Senado

Presidente do Senado ignora precedentes históricos e impõe obstáculos à proposta que beneficia trabalhadores, enquanto avança com pautas regressivas
Carlos Moura/Agência Senado

A atuação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem se tornado o principal gargalo para o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala 6×1. O senador sugeriu o envio do texto para comissões especiais, uma manobra sem precedentes desde 1988 para este tipo de matéria.

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Tecnicamente, a tramitação de uma PEC no Senado é restrita à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A tentativa de Alcolumbre de forçar a passagem por outros colegiados é vista por governistas como um artifício regimental para postergar a votação e desidratar o impacto da medida antes das eleições.

Alcolumbre justificou a resistência afirmando que o Senado não funcionará como um mero “carimbador” de decisões da Câmara. Contudo, a postura revela uma dissonância com a urgência da pauta social e levanta suspeitas sobre o uso da presidência da Casa para objetivos eleitorais futuros.

A agenda do retrocesso na calada do plenário

A resistência à escala 6×1 não é um fato isolado na gestão de Alcolumbre. Na última terça-feira (2), o presidente do Senado demonstrou sua orientação ao pautar, de última hora, um projeto que dificulta o acesso ao aborto legal para crianças vítimas de estupro.

Aprovado em menos de cinco minutos e sem debate aprofundado, o texto revoga resoluções do Conanda que garantiam atendimento humanizado. A manobra ignorou a forte rejeição popular registrada no portal de participação do próprio Senado, onde os votos contrários superaram os favoráveis em larga escala.

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O projeto, relatado pela senadora Damares Alves, desmantela proteções fundamentais para as vítimas mais vulneráveis do país. A agilidade em aprovar pautas que retiram direitos contrasta drasticamente com a lentidão imposta pelo mesmo presidente à PEC dos trabalhadores.

Interesses políticos e o projeto de recondução

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Nos bastidores do Congresso, a avaliação é de que Alcolumbre busca construir capital político junto ao bloco conservador e empresarial. O objetivo seria garantir apoio para sua recondução à presidência do Senado em fevereiro de 2027.

O senador tenta equilibrar as pressões do governo com o desejo de se fortalecer junto à oposição. Esse cálculo político, contudo, tem custo direto para a população:

  • Atraso na redução da carga horária que garante dignidade ao trabalhador brasileiro.
  • Fragilização da rede de proteção a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.
  • Uso do regimento interno como instrumento de barganha política e pessoal.

A decisão sobre o rito da PEC 6×1 deve ocorrer na próxima reunião de líderes, agendada para a terça-feira (9). Até lá, a manobra de Alcolumbre mantém em suspenso uma das pautas mais populares e urgentes do momento, revelando as prioridades da atual cúpula do Senado Federal.

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