Tel Aviv – O laudo do Instituto Forense Abu Kabir, divulgado em 3 de abril, concluiu que o brasileiro Walid Khalid Abdullah Ahmad, de 17 anos, morreu sob custódia de Israel por causa de fome, desidratação e complicações infecciosas. O adolescente estava preso no centro de detenção de Megido desde 30 de setembro de 2024.
O documento detalha que Walid apresentava desnutrição prolongada, teve diarreia induzida por colite e não recebeu atendimento médico adequado, fatores que agravaram seu quadro de saúde e levaram à morte no dia 22 de março, às 9h10.
Prisão ignorou estado de saúde de adolescente
Segundo a organização Defesa das Crianças Internacional, Walid desmaiou no pátio do presídio. Outras crianças o levaram até a enfermaria. Profissionais de saúde tentaram reanimá-lo com um desfibrilador, mas ele não resistiu.
O centro de detenção de Megido, onde o adolescente estava encarcerado, já havia sido alvo de denúncias por violações de direitos humanos. Organizações palestinas acusam o local de aplicar tortura, espancamentos, privação alimentar e uso de cães contra os detentos.
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Brasil cobra resposta do governo de Israel
O caso provocou uma reação imediata do governo brasileiro. O Itamaraty divulgou uma nota oficial exigindo esclarecimentos e expressou indignação com o ocorrido. A diplomacia de Israel ainda não respondeu às acusações.
Walid Khalid era o primeiro menor de idade a morrer sob custódia israelense, segundo a Defesa das Crianças Internacional – Palestina. Até o momento, 63 prisioneiros palestinos morreram em prisões de Israel desde o início da guerra em Gaza.
Cisjordânia abriga milhares de brasileiros palestinos
Cerca de 6 mil palestinos com origem brasileira vivem na Cisjordânia, área parcialmente ocupada por Israel. A Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) condenou a morte de Walid e reforçou as denúncias sobre o centro de detenção de Megido.
O jornal israelense Haaretz também publicou relatos de abusos em presídios. As denúncias incluem presos mantidos nus, amarrados pelas mãos e pés, sem comida ou cobertores, e hospitalizações causadas pelos maus-tratos.
Itamaraty já repatriou mais de 1,5 mil brasileiros
Desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, o governo brasileiro organizou diversas ações para retirada de seus cidadãos da região. O Itamaraty informou que 1.560 brasileiros e seus familiares já foram repatriados, vindos de áreas como Israel, Gaza e Cisjordânia.
Entenda o caso Walid Khalid: morte sob custódia israelense
Resumo dos principais pontos da morte do brasileiro em Israel
- Walid Khalid Abdullah Ahmad, 17 anos, morreu em 22 de março
- Autópsia revelou fome, colite, desnutrição e negligência médica
- Adolescente foi preso em setembro de 2024 no centro de Megido
- Governo brasileiro reagiu com nota contundente via Itamaraty
- Israel não respondeu oficialmente às conclusões do laudo
- Fepal e jornais israelenses denunciaram tortura e abusos
- Mais de 60 palestinos morreram sob custódia israelense
- 1.560 brasileiros foram repatriados da região desde o início da guerra