Autopsia revela que Israel matou brasileiro de 17 anos de fome

Resultados apontam fome e desnutrição como causas da morte de Walid Khalid
4 de abril de 2025
Leia em 2 minutos
Walid Khalid Abdullah Ahmad, brasileiro de 17 anos que esteve detido em Israel. Foto: Divulgação
Walid Khalid Abdullah Ahmad, brasileiro de 17 anos que esteve detido em Israel. Foto: Divulgação

Tel Aviv – O laudo do Instituto Forense Abu Kabir, divulgado em 3 de abril, concluiu que o brasileiro Walid Khalid Abdullah Ahmad, de 17 anos, morreu sob custódia de Israel por causa de fome, desidratação e complicações infecciosas. O adolescente estava preso no centro de detenção de Megido desde 30 de setembro de 2024.

O documento detalha que Walid apresentava desnutrição prolongada, teve diarreia induzida por colite e não recebeu atendimento médico adequado, fatores que agravaram seu quadro de saúde e levaram à morte no dia 22 de março, às 9h10.


Prisão ignorou estado de saúde de adolescente

Segundo a organização Defesa das Crianças Internacional, Walid desmaiou no pátio do presídio. Outras crianças o levaram até a enfermaria. Profissionais de saúde tentaram reanimá-lo com um desfibrilador, mas ele não resistiu.

O centro de detenção de Megido, onde o adolescente estava encarcerado, já havia sido alvo de denúncias por violações de direitos humanos. Organizações palestinas acusam o local de aplicar tortura, espancamentos, privação alimentar e uso de cães contra os detentos.


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Brasil cobra resposta do governo de Israel

O caso provocou uma reação imediata do governo brasileiro. O Itamaraty divulgou uma nota oficial exigindo esclarecimentos e expressou indignação com o ocorrido. A diplomacia de Israel ainda não respondeu às acusações.

Walid Khalid era o primeiro menor de idade a morrer sob custódia israelense, segundo a Defesa das Crianças Internacional – Palestina. Até o momento, 63 prisioneiros palestinos morreram em prisões de Israel desde o início da guerra em Gaza.


Cisjordânia abriga milhares de brasileiros palestinos

Cerca de 6 mil palestinos com origem brasileira vivem na Cisjordânia, área parcialmente ocupada por Israel. A Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) condenou a morte de Walid e reforçou as denúncias sobre o centro de detenção de Megido.

O jornal israelense Haaretz também publicou relatos de abusos em presídios. As denúncias incluem presos mantidos nus, amarrados pelas mãos e pés, sem comida ou cobertores, e hospitalizações causadas pelos maus-tratos.


Itamaraty já repatriou mais de 1,5 mil brasileiros

Desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, o governo brasileiro organizou diversas ações para retirada de seus cidadãos da região. O Itamaraty informou que 1.560 brasileiros e seus familiares já foram repatriados, vindos de áreas como Israel, Gaza e Cisjordânia.


Entenda o caso Walid Khalid: morte sob custódia israelense

Resumo dos principais pontos da morte do brasileiro em Israel

  • Walid Khalid Abdullah Ahmad, 17 anos, morreu em 22 de março
  • Autópsia revelou fome, colite, desnutrição e negligência médica
  • Adolescente foi preso em setembro de 2024 no centro de Megido
  • Governo brasileiro reagiu com nota contundente via Itamaraty
  • Israel não respondeu oficialmente às conclusões do laudo
  • Fepal e jornais israelenses denunciaram tortura e abusos
  • Mais de 60 palestinos morreram sob custódia israelense
  • 1.560 brasileiros foram repatriados da região desde o início da guerra

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