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segunda-feira, 31, março, 2025

Lula autoriza aumento de 9% para militares

Reajuste salarial será pago em duas parcelas, com impacto de R$ 3 bilhões no orçamento.
Lula e Militares - Foto: Agência Brasil
Lula e Militares - Foto: Agência Brasil

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta sexta-feira (28) um reajuste salarial de 9% para os membros das Forças Armadas. O aumento será dividido em duas parcelas: 4,5% em abril de 2025, no mesmo mês em que se completa o aniversário de 61 anos do golpe militar, e os outros 4,5% em janeiro de 2026. O impacto da medida é estimado em R$ 3 bilhões para os cofres públicos.

O reajuste foi uma demanda de longa data dos chefes militares e é o resultado de negociações entre o presidente Lula e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, ao longo do último ano. A medida foi tomada antes do envio do projeto de lei orçamentária para 2025 e visa alinhar os aumentos dos militares com os dos servidores públicos civis.

Concessão de reajuste e histórico de negociações

A Medida Provisória que garante o aumento foi formalizada após um período de negociações entre o governo e as Forças Armadas. O ministro José Múcio vinha defendendo a necessidade de um reajuste salarial para os militares desde 2023, buscando equiparar as condições salariais entre os servidores civis e militares.

A fonte do Palácio do Planalto revelou que os chefes das Forças Armadas já haviam pedido o reajuste no início do governo de Lula, considerando que os militares tiveram aumentos consecutivos nos últimos quatro anos após a reforma da Previdência de 2019. Contudo, esses aumentos não foram suficientes para acompanhar a inflação acumulada no período.

Detalhes sobre o reajuste

Com a implementação do aumento, a remuneração de um oficial-general de quatro estrelas — o topo da hierarquia militar — poderá ultrapassar R$ 40 mil mensais, considerando o soldo básico e os adicionais. Esses adicionais incluem benefícios como tempo de serviço, cursos de formação e disponibilidade operacional.

O aumento salarial foi defendido por José Múcio como uma forma de garantir a isonomia entre civis e militares, algo que ele considerava importante desde 2023. No entanto, a proposta encontrou resistência dentro do governo, principalmente de setores da equipe econômica, que argumentavam que os militares já haviam sido beneficiados com aumentos em 2019, enquanto os servidores civis enfrentaram perdas com a reforma previdenciária.

Tensões com as Forças Armadas

O anúncio do reajuste ocorre em um contexto de tensão nas relações entre o governo de Lula e as Forças Armadas, especialmente após os eventos de 8 de janeiro de 2023, quando ocorreram os ataques golpistas em Brasília. No entanto, a decisão de conceder o aumento salarial sinaliza um esforço do governo para restabelecer a harmonia nas relações com os militares.


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Entenda o caso

  • Qual o aumento salarial concedido?
    O governo Lula concedeu um aumento de 9% para os militares, dividido em duas parcelas de 4,5% cada, sendo a primeira em abril de 2025 e a segunda em janeiro de 2026.
  • Por que o reajuste foi solicitado?
    O aumento foi uma demanda dos chefes das Forças Armadas, que alegavam que os salários não haviam acompanhado a inflação acumulada após os aumentos concedidos em 2019.
  • Qual o impacto financeiro?
    O reajuste terá um impacto de aproximadamente R$ 3 bilhões no orçamento público, com a possibilidade de salários de altos oficiais ultrapassarem os R$ 40 mil mensais.
  • O que motivou a tensão com os militares?
    A aprovação do reajuste acontece após um período de tensões entre o governo e as Forças Armadas, intensificado pelos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.

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