O Hamas surpreendeu o cenário internacional ao divulgar, nesta sexta-feira (3), uma carta formal aceitando a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a libertação de todos os prisioneiros israelenses — vivos e mortos — em troca de um cessar-fogo.
O comunicado, publicado no canal de notícias do grupo, representa a primeira aceitação explícita do grupo extremista ao plano estadunidense e surge horas após Trump impor um prazo de 18h do domingo para uma resposta definitiva.
O movimento afirma “apreciar os esforços” de Trump e de outras lideranças, anunciando seu acordo para a troca contida na proposta, desde que “as condições de campo para a troca sejam atendidas”. A declaração sinaliza uma evolução significativa nas negociações de paz na região, mas mantém pontos de resistência cruciais.
As condições adicionais e a exclusão política
Embora o Hamas tenha aceitado o cerne do acordo — a troca total de reféns e o fim do conflito —, o grupo impôs condições que contradizem pontos centrais do plano de Trump. A proposta do presidente estadunidense, que possui 20 pontos, prevê especificamente:
- O fim do conflito e a libertação de reféns.
- O controle da Faixa de Gaza por um corpo internacional, excluindo os palestinos.
- A rendição de militantes e a exclusão do Hamas de qualquer futuro papel no governo palestino.
Entretanto, o grupo extremista renovou seu acordo para entregar a administração de Gaza a um “corpo palestino de independentes (tecnocratas)”, o que deve se basear em “consenso nacional palestino e apoio árabe e islâmico”. O Hamas também reafirma seu direito de participar das discussões sobre o futuro da região: “Elas [leis e resoluções] devem ser discutidas dentro de uma estrutura nacional palestina abrangente. O Hamas fará parte dela e contribuirá com total responsabilidade.”
Essa exigência de consenso e participação nacional palestina é uma manobra para contornar a exigência de exclusão política imposta por Trump, demonstrando que o Hamas aceita proposta de Trump de cessar-fogo e troca, mas resiste a abrir mão de seu peso político.
O silêncio do Estado Genocida de Israel e o futuro incerto
Até o momento da publicação desta reportagem, tanto o presidente dos EUA, Donald Trump, quanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não se manifestaram sobre o comunicado do Hamas. O silêncio israelense é significativo, dada a rigidez de Netanyahu em relação a qualquer acordo que não garanta a eliminação total do Hamas. O plano de Trump já foi alvo de críticas por sua rigidez e pela forma como tenta ditar o futuro do território palestino sem a plena concordância das partes.
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A aceitação do Hamas ao eixo da proposta de Trump ocorre após o grupo extremista solicitar mais prazo para avaliação, alegando a necessidade de “consultas aprofundadas”. A pressão temporal exercida por Trump parece ter funcionado. Contudo, a aceitação condicionada do Hamas aceita proposta de Trump de cessar-fogo apenas movimenta a negociação para uma fase mais delicada, onde as divergências sobre a administração de Gaza se tornarão o principal foco de impasse.
Leia na íntegra a carta emitida pelo Hamas:
Em Nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso
Declaração Importante
Sobre a Resposta do Hamas à Proposta do Presidente dos EUA, Trump
Em um esforço para deter a agressão e a guerra de extermínio travadas contra nosso povo fiel na Faixa de Gaza, e com base na responsabilidade nacional e na preocupação com os fundamentos, direitos e interesses supremos de nosso povo, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) realizou consultas aprofundadas dentro de suas instituições de liderança, amplas consultas com forças e facções palestinas e consultas com mediadores e amigos para alcançar uma posição responsável ao lidar com o plano do Presidente dos EUA, Donald Trump.
Após um estudo aprofundado, o movimento tomou sua decisão e apresentou a seguinte resposta aos irmãos mediadores:
O Movimento de Resistência Islâmica, Hamas, aprecia os esforços árabes, islâmicos e internacionais, bem como os esforços do Presidente dos EUA, Donald Trump, que pedem o fim da guerra na Faixa de Gaza, a troca de prisioneiros, a entrada imediata de ajuda humanitária, a rejeição da ocupação da Faixa de Gaza e o deslocamento do nosso povo palestino.
Neste contexto, e a fim de alcançar a cessação das hostilidades e a retirada completa da Faixa de Gaza, o movimento anuncia seu acordo para libertar todos os prisioneiros israelenses, vivos e mortos, de acordo com a fórmula de troca contida na proposta do Presidente Trump, desde que as condições de campo para a troca sejam atendidas. Nesse contexto, o movimento afirma sua prontidão para iniciar imediatamente as negociações por meio dos mediadores para discutir os detalhes deste acordo.
O movimento também renova seu acordo para entregar a administração da Faixa de Gaza a um corpo palestino de independentes (tecnocratas), com base no consenso nacional palestino e no apoio árabe e islâmico.
As demais questões mencionadas no Presidente A proposta de Trump sobre o futuro da Faixa de Gaza e os direitos inerentes do povo palestino está vinculada a uma posição nacional abrangente e baseada em leis e resoluções internacionais relevantes. Elas devem ser discutidas dentro de uma estrutura nacional palestina abrangente. O Hamas fará parte dela e contribuirá com total responsabilidade.
Movimento de Resistência Islâmica – Hamas








