Esportes
Diário Carioca

Moraes autoriza transferência de condenados no caso Marielle

Domingos Brazão e Rivaldo Barbosa deixam o sistema federal rumo ao Rio de Janeiro. A transferência de presos ganha relevância após o fim do risco às investigações.
Marielle Franco - Foto: Renan Olaz/ Câmara Municipal do Rio/ Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a transferência de Domingos Brazão e Rivaldo Barbosa para o Complexo Penitenciário de Gericinó, no Rio de Janeiro. A decisão, assinada na sexta-feira e registrada neste sábado, marca o retorno dos réus ao sistema estadual.

Publicidade

Por que isso importa agora? Porque o retorno ao Rio de Janeiro simboliza uma mudança de fase jurídica no caso Marielle Franco. O isolamento em presídios federais de segurança máxima, antes necessário para proteger a integridade das provas, deu lugar à execução penal comum.

A pergunta que circula nos bastidores jurídicos é: o sistema penitenciário do Rio de Janeiro possui as garantias necessárias para abrigar figuras com tamanha influência política e policial sem comprometer a segurança da custódia?

A decisão de Moraes altera drasticamente a rotina de dois dos principais nomes apontados no envolvimento do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Domingos Brazão, que estava detido em Porto Velho (RO), e o ex-chefe de Polícia Civil Rivaldo Barbosa, que cumpria pena em Mossoró (RN), serão removidos para o complexo de Bangu.

O fim do risco de interferência

O principal argumento jurídico para a permanência dos detidos em unidades federais era o risco de obstrução de justiça. Dada a rede de influência que ambos possuíam no estado do Rio de Janeiro, o STF entendia que o distanciamento geográfico era a única forma de garantir a lisura dos depoimentos e da coleta de dados.

Contudo, na nova decisão, o ministro Alexandre de Moraes avaliou que as investigações atingiram um estágio de maturidade onde não há mais risco de interferência por parte dos réus. Com a instrução processual avançada, a manutenção no sistema federal — que é uma medida excepcional e temporária — perdeu sua justificativa técnica imediata.

Publicidade

O desafio do Complexo de Gericinó

O Complexo Penitenciário de Gericinó, destino final de Brazão e Barbosa, é conhecido pelo histórico de superlotação e pela complexa gestão de presos com perfil político e de milícias. A transferência para o sistema estadual devolve ao governo do Rio de Janeiro a responsabilidade direta pela vida e pela segurança dos condenados.

Analistas de segurança pública alertam que a volta desses atores ao território onde exerciam poder exige um protocolo de vigilância redobrado. Rivaldo Barbosa, como ex-delegado e chefe de polícia, possui conhecimentos sensíveis sobre a estrutura do estado, o que torna sua custódia um desafio logístico e estratégico para a Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP).

Publicidade

O contexto do Caso Marielle

O assassinato de Marielle Franco, ocorrido em 2018, permanece como um dos crimes de maior repercussão internacional na história recente do Brasil. A identificação de mandantes e colaboradores de alto escalão, como os irmãos Brazão e cúpulas da segurança pública, levou anos de investigações complexas e delações premiadas.

A transferência autorizada por Moraes ocorre em um momento de consolidação das sentenças. O STF, ao liberar o retorno ao Rio, sinaliza que a estrutura probatória do caso está blindada contra tentativas de manipulação local, permitindo que os réus cumpram suas penas mais próximos de suas bases e defesas jurídicas.

Reações e desdobramentos jurídicos

A defesa de Rivaldo Barbosa vinha solicitando a transferência há meses, alegando o direito ao cumprimento de pena em localidade que facilite o contato familiar e o exercício da ampla defesa. Por outro lado, setores da sociedade civil e familiares das vítimas observam a movimentação com cautela, temendo que a rede de contatos local possa oferecer regalias indevidas.

O Ministério Público Federal e o Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN) devem coordenar o transporte aéreo dos presos nos próximos dias sob forte esquema de segurança. O deslocamento de Porto Velho e Mossoró até a capital fluminense será monitorado para evitar qualquer incidente durante o percurso.

O retorno a solo carioca encerra o capítulo do exílio federal desses réus, mas abre uma nova frente de monitoramento sobre a capacidade de regeneração — ou contaminação — do sistema prisional do Rio de Janeiro.

Publicidade
PublicidadeParimatch_Cassino_online