Américas
Diário Carioca

Venezuela sob cerco: Trump militariza o Caribe

Venezuela sob cerco: Trump militariza o Caribe

O fato que reconfigura o poder

Venezuela sob cerco: Trump militariza o Caribe. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu por 6 a 3 que Trump não podia usar a IEEPA para impor tarifas — derrubando a tarifa de 50% sobre o Brasil, 125% sobre a China e tarifas recíprocas sobre mais de 60 países. O governo estima que coletou US$ 166 bilhões em tarifas agora consideradas inconstitucionais. Trump respondeu impondo tarifa global de 15% sob Section 122, com validade de 150 dias até julho de 2026.

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A dimensão da guerra comercial

A taxa tarifária efetiva média dos EUA subiu de 2,5% em janeiro de 2025 para 27% em abril do mesmo ano — o nível mais alto em mais de um século, segundo a Tax Foundation. Após negociações, isenções e a decisão da Suprema Corte, a taxa recuou para 13,7% em fevereiro de 2026. Os setores mais afetados são metais, equipamentos elétricos, veículos e computadores. A Tax Foundation estima que as tarifas de Trump representam o maior aumento de impostos como percentual do PIB desde 1993.

Brasil na mira: da tarifa de 50% à isenção

O Brasil recebeu tratamento singular na política tarifária de Trump: foi o único país a ter uma ordem executiva dedicada (EO 14323), com linguagem que acusava o governo brasileiro de “perseguição política” contra Bolsonaro e ameaça à segurança nacional americana. A tarifa de 50% superava a aplicada a qualquer outro país, incluindo a China. Após a decisão da Suprema Corte, a Global Trade Alert calculou que a taxa sobre o Brasil caiu 13,6 pontos percentuais — a maior queda entre todos os países.

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Impacto econômico global

O FMI estima que as tarifas de Trump reduziram o crescimento do PIB global em 0,5 a 1,5 pontos percentuais em 2025. A Bloomberg reportou que exportações brasileiras bateram recorde mesmo sob tarifa de 50%, graças à diversificação para China e outros parceiros. O Senado americano votou 52 a 48 para encerrar as tarifas contra o Brasil — sinalizando que a política não tinha consenso bipartidário.

O precedente constitucional

A decisão da Suprema Corte em Learning Resources Inc. v. Trump é historicamente significativa: estabelece que o IEEPA, aprovado em 1977 para permitir sanções financeiras e congelamento de ativos em emergências, não autoriza a imposição de tarifas. O precedente limita o poder do Executivo americano de usar emergências econômicas como instrumento protecionista — mas não impede o uso de outras leis, como a Section 232 (segurança nacional) que mantém tarifas sobre aço e alumínio.

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A tarifa de 15% sob Section 122 expira em 24 de julho sem extensão do Congresso. Se Trump não obtiver aprovação legislativa — improvável com um Senado que já votou contra tarifas ao Brasil — o cenário comercial volta ao patamar pré-2025. A pergunta é se o dano à relação bilateral já está feito, ou se a diplomacia conseguirá reconstruir o que Trump destruiu.

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