O paradoxo do líder rejeitado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera todas as simulações de primeiro e segundo turno para as eleições presidenciais de 2026, segundo levantamentos de AtlasIntel, Datafolha, Quaest e Ipsos-Ipec realizados entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026. No entanto, 57% do eleitorado considera que ele não deveria buscar a reeleição, segundo a Ipsos-Ipec — um dado que expõe a contradição central da corrida: Lula vence porque falta alternativa consolidada, não porque há entusiasmo.
Os números de dezembro e janeiro
Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg de fevereiro de 2026, Lula aparece com 47% contra 35% de Flávio Bolsonaro no cenário de primeiro turno mais competitivo. Contra Tarcísio de Freitas, a vantagem sobe para 48% a 28%. A Ipsos-Ipec, em dezembro, registrou 38% para Lula em todos os cenários, com a direita dividida entre 17% e 23% dependendo do nome testado. A Quaest indicou vantagem de até 10 pontos no segundo turno.
A fragmentação da direita
O campo conservador enfrenta o desafio de unificar votos sem Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe e declarado inelegível pelo TSE até 2030. Flávio Bolsonaro cresceu mais de 10 pontos percentuais após ser anunciado como candidato pelo pai, mas sua rejeição é alta: 35% dos eleitores não votariam nele “de jeito nenhum”. Tarcísio de Freitas mantém a menor rejeição entre os candidatos da direita (11%), mas estacionou nas pesquisas e declarou apoio a Flávio.
Governadores na fila de espera
Ronaldo Caiado (União Brasil), Ratinho Júnior (PSD), Eduardo Leite (PSD) e Romeu Zema (Novo) aparecem como alternativas, mas nenhum ultrapassa a barreira de dois dígitos quando Flávio ou Tarcísio estão no cenário. A AtlasIntel mostra que, sem Lula, Fernando Haddad lideraria com 44,4% contra 32,2% de Tarcísio — o que indica que o PT teria reserva eleitoral mesmo sem o presidente.
O fator rejeição de Lula
A rejeição ao presidente atinge 44% segundo a Ipsos-Ipec, a mais alta entre todos os nomes testados. O dado sugere que uma eventual campanha de segundo turno será polarizada e decidida por um eleitorado médio que não gosta de nenhum dos polos. A diretora do Ipsos-Ipec, Márcia Cavallari, resumiu: “O eleitorado está cansado da polarização, mas na hora de escolher, volta aos polos conhecidos.”
A 7 meses da eleição, o cenário é de vantagem estrutural para Lula e incerteza existencial para a direita: se Tarcísio entrar na corrida, divide o voto bolsonarista; se ficar em São Paulo, Flávio enfrenta Lula sem experiência executiva e com o peso de um sobrenome que rejeição cresce. A pergunta para outubro não é quem lidera — é quem sobrevive até lá.








