O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), agora posicionado como pré-candidato à presidência da República, tenta consolidar sua imagem nacional enquanto lida com um extenso “passivo” de polêmicas que remontam aos seus 15 anos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
De homenagens a matadores de aluguel a esquemas bilionários de doações de campanha, o histórico do “filho 01” é marcado por judicializações e suspeitas de lavagem de dinheiro.
O episódio mais recente liga a família Bolsonaro ao liquidado Banco Master. Investigações revelaram que o principal doador da campanha de Jair Bolsonaro em 2022 foi Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro.
O repasse de R$ 3 milhões é visto por investigadores como parte de uma teia de interesses que envolve o clã e instituições financeiras sob suspeita.
O Esquema das “Rachadinhas” e a Loja de Chocolates
O caso mais emblemático é o da “rachadinha” no gabinete de Flávio na Alerj. O Ministério Público do Rio (MP-RJ) denunciou o então deputado por comandar a apropriação de salários de servidores, operada por seu amigo de longa data, Fabrício Queiroz.
Para dar aparência lícita aos recursos, o MP apontou duas frentes principais:
- Loja de Chocolates: Uma franquia na Barra da Tijuca teria sido utilizada para lavar o dinheiro desviado, com depósitos em espécie incompatíveis com as vendas reais.
- Imóveis: A compra e venda de 37 imóveis entre 2010 e 2017 gerou um lucro de R$ 3 milhões, com suspeitas de uso de dinheiro vivo para ocultar a origem dos montantes.
Ligações com o “Escritório do Crime”
A trajetória de Flávio também é sombreada por sua proximidade com figuras do submundo carioca. Como deputado, ele homenageou com a Medalha Tiradentes o ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, chefe do “Escritório do Crime” e envolvido com o jogo do bicho e milícias.
A mãe e a esposa de Adriano chegaram a trabalhar no gabinete de Flávio na Alerj, vínculo que só foi cortado quando a família alcançou o topo do Poder Executivo em Brasília.
Patrimônio e Rejeição
Mesmo com a anulação de provas pelo STJ em 2021, que travou parte das investigações, o crescimento patrimonial do senador continua sob os holofotes.
Em 2024, Flávio quitou uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília, valor que destoa dos bens declarados à Justiça Eleitoral.
Com apenas um projeto aprovado em sete anos de Senado e um histórico pesado de denúncias, Flávio enfrenta um desafio de imagem.
Pesquisas recentes indicam que sua rejeição chega a 37,5%, aproximando-se dos índices do presidente Lula (44,2%), o que coloca um ponto de interrogação sobre a viabilidade de sua cabeça de chapa para 2026.








