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Deputado Wilson Santiago usa cota parlamentar em empresa da família

Parlamentar utilizou R$ 203 mil da cota de gabinete para alugar veículos de empresa controlada por sobrinhos, violando normas da Câmara dos Deputados.
Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

O deputado federal Wilson Santiago (Republicanos-PB) transformou a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar — conhecida popularmente como “verba parlamentar” — em um mecanismo de transferência de recursos para o círculo familiar. Entre maio de 2024 e março de 2026, o parlamentar destinou R$ 203 mil ao aluguel de veículos de uma locadora cujos sócios são seus próprios sobrinhos.

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A prática, flagrantemente contrária aos princípios da impessoalidade e moralidade pública, esbarra diretamente no Ato da Mesa da Câmara dos Deputados. O regulamento é taxativo: é proibido o reembolso de despesas realizadas com empresas de parentes até o terceiro grau. O caso, porém, revela uma criatividade administrativa que ignora tais barreiras éticas, tratando o erário como uma extensão do orçamento doméstico.

Luxo e conveniência familiar

A lista de veículos alugados reflete um padrão de consumo que pouco se alinha à ideia de “atividade parlamentar” básica. Foram locados modelos de luxo, como Jeep Commander e Tiggo 7, com custos mensais que atingiram o teto de R$ 12 mil. A utilização de recursos públicos para financiar um padrão de vida elevado, intermediado por familiares, levanta questionamentos sobre a necessidade real dos bens e a transparência do processo licitatório ou de contratação direta.

O envolvimento de familiares ganha contornos ainda mais complexos com a confirmação de assinaturas de parentes nos recibos, incluindo um vereador do mesmo partido, o Republicanos, na Paraíba. O cenário sugere um ecossistema político-empresarial fechado, onde o dinheiro público circula entre aliados e consanguíneos.

O sistema de cotas sob escrutínio

A verba parlamentar foi concebida para permitir que o deputado exerça seu mandato com eficiência, cobrindo gastos essenciais como passagens aéreas, combustível e consultorias. No entanto, o sistema carece de mecanismos preventivos eficazes. O reembolso é processado, muitas vezes, apenas com a apresentação da nota fiscal, e a fiscalização ativa só ocorre após denúncias ou auditorias ex-post, deixando a porta aberta para abusos.

  • Pontos críticos do caso:
  • Desvio da finalidade da verba pública.
  • Conflito de interesses direto entre parlamentar e fornecedores.
  • Violação explícita de normas da Câmara sobre contratação de parentes.
  • Utilização de veículos de alto padrão sem justificativa de utilidade pública.

Perspectivas de ressarcimento

A Câmara dos Deputados já sinalizou que a irregularidade pode exigir a devolução dos valores. Contudo, a restituição ao erário, embora necessária, é apenas o desfecho administrativo. Do ponto de vista político, o caso exige uma resposta do Conselho de Ética. A repetição dessa conduta ao longo de 22 notas fiscais descaracteriza qualquer erro burocrático, sugerindo uma prática deliberada.

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Abaixo, um panorama comparativo entre a norma institucional e a prática adotada:

CritérioNorma da CâmaraAção Registrada
FornecedoresVedado parentes até 3º grauContratação de sobrinhos
FinalidadeAtividade parlamentarVeículos de luxo (uso pessoal)
TransparênciaAuditoria e impessoalidadeNegócio entre familiares
ConsequênciaRessarcimento exigidoAuditoria em curso

O caso de Wilson Santiago é um exemplo clássico de como a ausência de um sistema de controle preventivo em tempo real permite que a classe política capture recursos públicos para benefício de clãs locais. Enquanto a regra for apenas “devolver se pego”, a tentação de usar o mandato como facilitador de negócios privados continuará sendo um custo elevado para o contribuinte brasileiro.

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