O cinema de Fabio Meira sempre se debruçou sobre a delicadeza dos encontros e a passagem inexorável do tempo. Após o sucesso crítico de As Duas Irenes e Tia Virgínia, o diretor goiano estreia nesta quinta-feira, 14 de maio, o seu mais ambicioso projeto: “Mambembe”.
O longa, que percorre as telas de 16 capitais brasileiras, é uma ode à resistência dos pequenos circos itinerantes que ainda pulsam nas veias do Norte e Nordeste do Brasil.
O projeto é um exercício de paciência cinematográfica. Gestado ao longo de 16 anos, o filme incorporou o envelhecimento real de seus personagens e realizadores, transformando a própria filmagem em um elemento da narrativa.
Ao cruzar a fronteira entre o real e o inventado, Meira constrói uma jornada sensorial sobre memória e desejo.
O Triunvirato Feminino e o Topógrafo Nômade
No centro da trama estão três figuras femininas potentes que representam diferentes faces da arte mambembe:
- Índia Morena: Patrimônio Vivo de Pernambuco e ícone da tradição circense.
- Madona Show: Artista potiguar que personifica a força do espetáculo popular.
- Dandara Ohana: Interpreta Jéssica, uma ex-artista de Belém que traz o conflito da transição entre a lona e a vida urbana.
Essas trajetórias se entrelaçam através da figura de um misterioso topógrafo, interpretado por Murilo Grossi, que atravessa o caminho dessas mulheres, servindo como fio condutor para uma história que demorou mais de uma década para ser concluída.

Reconhecimento e Premiações
“Mambembe” chega ao circuito comercial após uma carreira laureada em festivais. A obra não apenas conquistou o público na Mostra de São Paulo e no Festival do Rio, mas também dominou premiações técnicas e artísticas:
| Festival | Prêmios Conquistados |
| Festival de Vitória | Melhor Filme, Melhor Interpretação (Índia Morena) e Menção Honrosa. |
| Festival Guarnicê | Melhor Filme, Melhor Atuação (Elenco Feminino), Melhor Ator e Fotografia. |
| FICA / Panorama Coisa de Cinema | Melhor Filme, Direção e Montagem. |
| Circuito Internacional | Melhor Diretor no Bravo Film Festival (LA) e Prêmio do Júri em Milão. |
Ficha Técnica e Estética
A direção de fotografia assinada por Daniela Cajías captura a textura da poeira e o brilho do cetim com uma sensibilidade quase táctil, enquanto a montagem de Affonso Uchôa, Juliano Castro e o próprio Meira costura os saltos temporais de 15 anos com fluidez. Produzido pela Roseira Filmes, o longa reafirma Fabio Meira como um dos diretores mais sensíveis da safra atual, capaz de transformar a “bobagem” do cotidiano nômade em uma intelectualização profunda sobre a existência humana.







