Direitos Humanos
Diário Carioca
Rede de Proteção

“A responsabilidade é de todos”, afirma Janine Mello sobre o combate ao abuso infantil

No programa “Bom Dia, Ministra”, a titular dos Direitos Humanos defendeu a padronização de protocolos, o uso do Disque 100 e a implementação do ECA Digital.
Diego Campos/Secom-PR

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, detalhou as estratégias prioritárias do governo federal para o enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. Concedida ao programa “Bom Dia, Ministra”, a entrevista coletiva pautou a necessidade de uma rede integrada de proteção que atue desde a prevenção em ambientes escolares e familiares até a resposta ágil a crimes notificados.

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Protocolos homogêneos e a Lei da Escuta Protegida

De acordo com a ministra, o maior desafio atual do Estado é descentralizar os mecanismos de proteção para que municípios de pequeno porte tenham a mesma eficiência que as grandes capitais. Para estruturar essa rede, o ministério aposta na consolidação da Lei da Escuta Protegida (Lei 13.431/2017), que organiza os fluxos de atendimento na saúde, educação, assistência social e segurança pública.

O principal objetivo do marco legal é blindar a vítima ou testemunha infantojuvenil da revitimização, fazendo com que o relato do trauma ocorra em ambiente especializado e protegido de julgamentos. Como a maioria das violências é registrada no âmbito doméstico, Janine Mello alertou para a importância de os responsáveis monitorarem mudanças abruptas de comportamento.

“O silêncio não protege crianças. O silêncio protege o abusador. O Estado brasileiro não vai conseguir atuar se a gente não tiver informação e conhecimento dessas denúncias”, enfatizou a ministra, reforçando a importância do canal gratuito e sigiloso Disque 100.

Nova política nacional e o ECA Digital

A agenda de enfrentamento ganhou robustez com a abertura do 3º Congresso Brasileiro de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, iniciado em Brasília no dia 18 de maio. No evento, foi publicada a portaria que institui a Política Nacional de Enfrentamento e Combate ao Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes, unificando as ações operacionais da União, dos estados e dos municípios.

Além das frentes físicas de proteção, a ministra deu forte destaque ao ambiente de internet com a defesa do ECA Digital (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente). O novo texto legal impõe diretrizes rigorosas para empresas de tecnologia e plataformas de redes sociais.

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Pilares do ECA DigitalExigências Legais para PlataformasPapel de Apoio Social
Proteção de IdentidadeVerificação compulsória da idade real dos usuáriosFiscalização ativa por órgãos de controle do Estado
Segurança ComercialRestrição total do uso de dados de menores para fins publicitáriosSupervisão e acompanhamento parental contínuo
Transparência de GestãoObrigatoriedade de ferramentas nativas de supervisão dos paisCooperação das big techs para operação regular no país

Responsabilidade corporativa e coletiva

Janine Mello rechaçou modelos de negócios digitais estruturados com base no engajamento gerado pela vulnerabilidade da infância. Segundo a titular da pasta, o sucesso da nova legislação penal e civil dependerá de um tripé formado pelo monitoramento das famílias, pela fiscalização do Estado e pela adequação tecnológica obrigatória das plataformas digitais que desejam manter suas operações ativas em território brasileiro.

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