A Comissão Europeia comprometeu-se, esta sexta-feira, a implementar medidas restritivas específicas na concessão de vistos Schengen para cidadãos russos. A promessa surge como resposta direta a uma pressão coordenada por 11 Estados-membros, que denunciaram a fragmentação na aplicação das normas atuais.
O anúncio foi feito pelo porta-voz para as Migrações, Markus Lammert, que confirmou a inclusão destas mudanças na revisão do Código de Vistos prevista para o próximo ano. Embora a medida vislumbre um endurecimento, o impacto imediato será limitado pela autonomia que cada Estado-membro mantém na gestão das suas fronteiras.
O fosso entre os Estados-membros
- A coligação liderada pela Suécia inclui países como Finlândia, Polónia e as três nações bálticas.
- O bloco aponta que a emissão desenfreada de vistos mina a unidade da política externa europeia.
- França, Itália e Espanha processaram, em conjunto, mais de 400 mil vistos para russos em 2025.
Dados do choque de políticas
Enquanto a média anual de vistos pré-invasão era de quatro milhões, o número caiu para cerca de 500 mil em 2025. Contudo, a disparidade na atuação de cada país é evidente: a França lidera a lista com 180 mil autorizações, seguida pela Itália, com 160 mil, e pela Espanha, com 100 mil.
Países como a França e a Itália defendem que o processamento reflete a demanda turística e que os indivíduos sancionados não estão entre os beneficiários desses vistos. Já a coligação contestatária argumenta que a presença de turistas russos em estâncias europeias constitui uma ofensa moral enquanto o conflito na Ucrânia prossegue.
Consequências e contradições de poder
A fragmentação expõe uma crise de solidariedade no flanco europeu. A dificuldade em harmonizar a política de vistos revela que, para além da segurança, existem interesses econômicos ligados ao turismo que as grandes potências europeias não estão dispostas a sacrificar facilmente.
A revisão prometida por Bruxelas para 2027 tentará fechar lacunas, mas a resistência das capitais com maior fluxo turístico sugere que o debate político sobre a “coerência” da União Europeia permanecerá aberto. A eficácia destas medidas dependerá de quão vinculativas as novas normas se tornarão diante da soberania nacional.







