O deputado federal Mário Frias (PL-SP) virou alvo de uma busca infrutífera por parte do Poder Judiciário. Um oficial de Justiça do Supremo Tribunal Federal (STF) não conseguiu localizar o parlamentar no endereço oficial fornecido pela Câmara dos Deputados à Suprema Corte. Ao chegar ao local indicado, o funcionário judicial foi informado pelo zelador do condomínio residencial de que o ex-secretário de Cultura não reside no imóvel há pelo menos dois anos. As tentativas de notificação ocorrem em meio a um turbilhão político que envolve o financiamento de obras cinematográficas ideológicas.
O sumiço do deputado de Brasília coincide com o ápice das investigações que miram o escoamento de verbas públicas para o seu círculo de influência.
A rota de fuga para o Oriente Médio
A gênese do sumiço do parlamentar bolsonarista ganhou contornos internacionais após as justificativas apresentadas por sua assessoria. O gabinete de Mário Frias limitou-se a informar ao Judiciário que o deputado se encontra em uma suposta “missão internacional”, sem detalhar a agenda oficial ou estipular qualquer previsão de retorno ao território brasileiro.
Contudo, nos bastidores do Congresso Nacional, interlocutores e aliados próximos confirmaram de forma reservada que o destino do parlamentar é o Bahrein.
A viagem estratégica para o pequeno país do Golfo Pérsico ocorre exatamente no momento em que a sua atuação política é bombardeada por revelações sobre a execução e o fluxo de caixa do filme “Dark Horse”.
A barreira da intimação e o silêncio da Câmara
O fluxo do poder e da blindagem institucional entrou em campo para conter o avanço do oficial do STF. A corte tenta intimar o parlamentar de forma urgente no âmbito do inquérito sigiloso que se debruça sobre possíveis desvios, triangulações e fraudes na destinação de dinheiro público.
O foco central da investigação é a transferência de recursos orçamentários sob a forma de emendas parlamentares carimbadas diretamente para a carteira da produtora cinematográfica responsável pelo longa-metragem sobre Jair Bolsonaro.
Por outro lado, em uma movimentação de corporativismo clássico, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados apressou-se em emitir um posicionamento oficial garantindo não ter identificado qualquer indício de irregularidade ou quebra de conformidade técnica nos repasses de emendas efetuados pelo gabinete de Frias.
As versões sobre o paradeiro do parlamentar
O desencontro de dados entre o cadastro legislativo e a realidade do terreno expõe o jogo de esconde-esconde político.
- Zelador do Edifício: Afirmou sob termo que o deputado abandonou o endereço oficial do cadastro parlamentar há 24 meses.
- Gabinete de Frias: Sustenta a tese da missão diplomática internacional e evita dar prazos para que o deputado assine a notificação judicial.
- Mesa da Câmara: Valida formalmente os repasses financeiros e mantém no sistema o endereço fantasma que frustrou o oficial do STF.
Anatomia da crise e do sumiço do parlamentar
| Instância / Agente | Papel no Episódio | Situação Cadastral / Status |
| Mário Frias | Investigado principal | Paradeiro apontado no Bahrein |
| STF | Órgão fiscalizador | Intimação devolvida por endereço desatualizado |
| Câmara dos Deputados | Custodiante institucional | Forneceu endereço inócuo e validou repasses |
| Produtora Audiovisual | Receptora das emendas | Alvo de bloqueio de contas e investigação da PF |
O horizonte para o deputado do PL tende a se complicar juridicamente. A frustração da intimação pessoal pode forçar o ministro relator do caso no STF a adotar medidas mais severas, como a notificação por edital eletrônico ou a determinação de busca domiciliar em outros endereços vinculados ao patrimônio pessoal e familiar de Frias.








