O herdeiro que não era favorito
O senador Flávio Bolsonaro cresceu mais de 10 pontos percentuais nas pesquisas de intenção de voto entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, consolidando-se como o principal nome da direita para disputar a presidência contra Lula. A AtlasIntel/Bloomberg de fevereiro mostra Flávio com 35% contra 47% do presidente no primeiro turno — distância significativa, mas menor do que os 25 pontos de outubro.
A estratégia do sobrenome
Escolhido publicamente pelo pai, Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos por tentativa de golpe, Flávio aposta na transferência de voto do bolsonarismo radical. A estratégia funcionou nas pesquisas iniciais: ele absorveu votos que estavam dispersos entre Eduardo Bolsonaro, Michelle e Tarcísio. Mas o crescimento veio acompanhado de aumento na rejeição, que já atinge 35% — a segunda mais alta entre todos os candidatos testados, atrás apenas de Lula.
O dilema do segundo turno
No segundo turno contra Lula, a AtlasIntel registra empate técnico em um cenário e derrota clara em outros. A Paraná Pesquisas mostra Lula à frente de Flávio por 6,7 pontos, mas dentro da margem de erro. O problema para o senador é que, ao se tornar o candidato oficial do bolsonarismo, ele herda não apenas os votos do pai, mas também a sua rejeição — e em um país onde 44% rejeitam Lula mas 35% rejeitam Flávio, a matemática eleitoral é impiedosa.
Tarcísio declara apoio, mas mantém opções
O governador de São Paulo declarou apoio formal a Flávio, afastando especulações de candidatura própria. Mas interlocutores do Palácio dos Bandeirantes admitem que Tarcísio reavaliará a posição se Flávio não atingir competitividade real até junho. A menor rejeição de Tarcísio (11%) e seu desempenho estável nas pesquisas o mantêm como plano B permanente da direita.
O fantasma do pai preso
A candidatura de Flávio é inseparável da figura de Jair Bolsonaro. A AtlasIntel testou cenário com o ex-presidente e registrou empate técnico com Lula (43,4% a 45,7%), demonstrando que o bolsonarismo como fenômeno eleitoral permanece vivo. A questão é se esse capital se transfere integralmente para o filho — ou se a prisão do patriarca corrói a narrativa de vítima que sustenta o movimento.
A próxima pesquisa de março será a primeira a medir o impacto da renúncia de Eduardo Paes ao governo do Rio e da reorganização do tabuleiro fluminense sobre a corrida nacional. Se Flávio perder o Rio — seu domicílio eleitoral — para Paes no Senado, o custo político se estenderá à disputa presidencial.








