O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, mostrou que sabe muito bem usar dois pesos e duas medidas e oficializou a exoneração do assessor Bernardo Moreira nesta sexta-feira.
O desligamento ocorre na sequência de um tumulto envolvendo o servidor durante uma entrevista ao vivo concedida pelo deputado Cabo Gilberto nas dependências da Casa. Vale lembrar que o processo que pretende punir os deputados bolsonaristas que praticaram motim na Câmara dos deputados se arrasta e foi paralisado pelo pedido de vista, feito pelo líder da oposição, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB). Com isso, o colegiado deverá deliberar sobre as punições na próxima semana.
O incidente teve início enquanto o parlamentar abordava a derrubada dos vetos presidenciais relacionados ao projeto de lei da dosimetria. Moreira, que atuava no gabinete de André Janones, interrompeu a fala do deputado com gritos em defesa do governo Lula e críticas ao projeto em debate, o que motivou a intervenção da Polícia Legislativa no local.

Divergências sobre o ocorrido
A decisão de Motta foi fundamentada na justificativa de que o servidor apresentaria um histórico de comportamento reincidente em episódios de conflito dentro do ambiente legislativo. Segundo o presidente da Câmara, a conduta de Moreira seria incompatível com as normas de convivência e decoro exigidas para o exercício de cargos na instituição.
Por outro lado, em depoimento prestado após o incidente, Bernardo Moreira apresentou uma versão distinta dos fatos. O ex-servidor negou ter agredido qualquer pessoa presente, afirmando que apenas transitava pelo local no momento da entrevista e optou por manifestar sua opinião política. Moreira ainda alegou ter sido abordado de forma agressiva pelo parlamentar logo após a interrupção.
Perspectivas do Incidente
| Parte Envolvida | Alegação Principal | Ação Tomada |
| Hugo Motta (Presidência) | Comportamento reincidente inadequado | Exoneração do cargo |
| Bernardo Moreira (Assessor) | Apenas se manifestou; nega agressão | Denuncia abordagem forçada |
| Deputado Cabo Gilberto | Interrupção indevida de entrevista | Acionou a Polícia Legislativa |
O episódio gerou reações no Legislativo, reacendendo debates sobre os limites da manifestação política por parte de servidores públicos nas dependências da Casa, bem como sobre a gestão de conflitos durante o exercício do mandato parlamentar. A Polícia Legislativa, que acompanhou o caso, deve integrar o relatório sobre a confusão para análise da Mesa Diretora.








