O cenário jurídico em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro ganhou um novo capítulo estratégico no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Nunes Marques foi definido como o relator da revisão criminal protocolada pela defesa de Bolsonaro, que busca derrubar a condenação de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
A escolha de Nunes Marques, indicado ao cargo pelo próprio Bolsonaro em 2020, é vista com atenção por observadores jurídicos. A defesa aposta em nulidades processuais para esvaziar a sentença, questionando tanto a competência do órgão julgador quanto a validade das provas principais que sustentam a condenação.
Os pilares do recurso
Os advogados de Bolsonaro centram sua tese em dois pontos fundamentais:
- Vício de Competência: Sustentam que o julgamento deveria ter ocorrido obrigatoriamente no Plenário da Corte (com os 11 ministros), e não na Primeira Turma, como foi conduzido.
- Delação de Mauro Cid: O recurso pede a anulação total da colaboração premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, alegando irregularidades na sua obtenção, o que geraria o “efeito dominó” de invalidar todas as provas derivadas.
O que é a Revisão Criminal?
Diferente de um recurso comum, a revisão criminal é um instrumento excepcional. Ela só pode ser acionada quando o processo já transitou em julgado (quando não cabem mais apelações comuns) e surgem novos fatos ou evidências de erro judiciário.
- Poder do Relator: Nunes Marques deverá analisar se os argumentos preenchem os requisitos legais para que o pedido seja sequer processado.
- Possíveis Desfechos: Se o pedido for julgado procedente, o STF tem o poder de anular o processo, reduzir a pena imposta ou até mesmo decretar a absolvição.
Resumo da Ação Penal e Recurso
| Item | Detalhe |
| Condenação Original | 27 anos e 3 meses de reclusão |
| Crime | Tentativa de golpe de Estado |
| Relator da Revisão | Ministro Nunes Marques |
| Alvos de Anulação | Julgamento da 1ª Turma e Delação de Mauro Cid |
| Status Jurídico | Recurso excepcional pós-trânsito em julgado |
Próximos Passos em Brasília
O processo agora entra em fase de instrução sob o comando de Nunes Marques. O ministro poderá solicitar pareceres da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de levar o caso a julgamento. A decisão final sobre a revisão criminal costuma ser tomada pelo Plenário ou pela Seção competente, dependendo do regimento interno, mas o voto do relator será o norteador da disputa jurídica que promete paralisar o mundo político.








