A produtora cinematográfica Karina Ferreira revelou, em entrevista exclusiva à GloboNews, que o banqueiro Daniel Vorcaro financiou mais de 90% do orçamento do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com as declarações da profissional, a produção audiovisual já consumiu cerca de US$ 13 milhões (aproximadamente R$ 75 milhões na cotação atual). As revelações jogam por terra as negativas anteriores de aliados políticos e colocam o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF) no circuito de investigações sobre triangulação financeira e uso de emendas parlamentares.
O caso ganha contornos de escândalo financeiro ao conectar o financiamento de propaganda ideológica a fundos internacionais e repasses públicos carimbados.
A rota do dinheiro e o fundo internacional
A gênese do fluxo de capital que abasteceu a produção cinematográfica expõe uma complexa arquitetura de negócios. Karina Ferreira detalhou que os milhões de dólares necessários para o projeto chegaram ao Brasil por meio do fundo Heavengate, uma estrutura financeira internacional diretamente ligada a interlocutores e aliados do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Contudo, o cruzamento de dados da inteligência financeira aponta para outra direção complementar e corporativa.
A Polícia Federal identificou que a origem real dos ativos utilizados nas filmagens e na pré-produção do longa-metragem é a empresa Entre Investimentos, uma companhia diretamente associada aos negócios de Daniel Vorcaro, o que contradiz a versão de que o banqueiro atuaria apenas como um mero articulador de apoios na praça.
O elo com as emendas PIX e o bloqueio do STF
O escândalo expandiu-se do setor estritamente privado para o orçamento da União. Durante a oitiva jornalística, a produtora confirmou o recebimento de R$ 2,4 milhões em emendas parlamentares na modalidade “transferência especial”, popularmente conhecidas como emendas PIX, destinadas a um segundo projeto de sua carteira audiovisual.
Esta modalidade de repasse, criticada pela falta de transparência e rastreabilidade, tornou-se o calcanhar de Aquiles dos envolvidos.
Parte expressiva desses recursos públicos foi formalmente bloqueada por ordem do STF, no âmbito de um inquérito sigiloso que apura a quebra de impessoalidade e o desvio de finalidade na distribuição de verbas do parlamento para agentes do ecossistema de apoio ao bolsonarismo.
Os números e as versões do caso
A discrepância entre os discursos oficiais e os dados levantados pelas autoridades desenha o fluxo do poder e do dinheiro nos bastidores do projeto.
- Karina Ferreira: Confirmou o volume do orçamento (US$ 13 milhões) e o uso de fundos ligados ao clã Bolsonaro, além do recebimento das emendas sob investigação.
- Polícia Federal: Rastreou o dinheiro até a empresa Entre Investimentos, vinculando o caixa do filme diretamente ao patrimônio e às empresas de Daniel Vorcaro.
- Supremo Tribunal Federal: Interveio juridicamente para congelar as contas do projeto paralelo após identificar indícios de irregularidades no fluxo das emendas PIX.
Anatomia financeira do projeto Dark Horse
| Vetor Financeiro | Volume Declarado / Identificado | Origem / Canal de Escoamento | Status Jurídico |
| Orçamento Executado | US$ 13 milhões | Fundo Heavengate / Entre Investimentos | Sob investigação da PF |
| Aporte de Vorcaro | Superior a 90% do total | Estruturas ligadas ao Banco Master | Rastreamento bancário ativo |
| Emendas PIX | R$ 2,4 milhões | Orçamento Federal (Câmara) | Bloqueado por ordem do STF |
O horizonte dos envolvidos aponta para um cenário de severo desgaste jurídico. O cruzamento das declarações da produtora com os relatórios de quebra de sigilo bancário da Polícia Federal deve acelerar indiciamentos e convocações em comissões parlamentares nas próximas semanas.








