Ciência
Diário Carioca

Estudo prova que humanos transportaram pedra de Stonehenge por 700 km

Modelagem computacional descarta ação glacial e revela coordenação neolítica no transporte de megalito de seis toneladas por 700 quilômetros.
Dr. Anthony Clarke em Stonehenge - Universidade CurtinCurtin University

A engenharia das sociedades neolíticas acaba de ganhar um novo contorno documental e científico. Uma pesquisa liderada pela Universidade Curtin revelou que a Pedra do Altar central de Stonehenge foi transportada de forma deliberada. O megalito de arenito, pesando cerca de seis toneladas, viajou do nordeste da Escócia até a famosa planície de Salisbury. A jornada de aproximadamente 700 quilômetros exigiu um domínio logístico que desafia as antigas percepções sobre a capacidade humana.

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O estudo publicado no periódico Journal of Quaternary Science afasta definitivamente o determinismo geográfico na construção do monumento.

As forças do gelo e o esforço coletivo humano

Historicamente, a movimentação de estruturas monolíticas dessa magnitude gerava intensos debates sobre o papel das forças naturais. Hipóteses anteriores sustentavam que as geleiras da Era do Gelo teriam arrastado as pedras até o sul da Grã-Bretanha. A nova modelagem computacional combinada com a datação de grãos minerais provou exatamente o oposto. O pesquisador Anthony Clarke demonstrou que não existiam caminhos glaciais viáveis até o destino final.

O avanço das camadas de gelo pode ter movimentado rochas parcialmente até o Mar do Norte, mas o trajeto restante dependeu de tração humana.

A materialidade da logística estrutural ancestral

Para viabilizar o projeto colossal, as comunidades do período Neolítico precisaram articular um sistema de transporte altamente coordenado. O esforço não se resumiu a simplesmente arrastar uma pedra gigantesca sobre a terra de forma rudimentar. A pesquisa aponta para uma combinação complexa de modais logísticos adaptados à topografia irregular da antiga Grã-Bretanha. O mapeamento da rota sugere táticas avançadas para a época:

  • Uso rotas terrestres planificadas estrategicamente para evitar aclives acentuados e poupar energia humana.
  • Aproveitamento de malha fluvial interligada para viabilizar a flutuação do arenito pesado em balsas.
  • Possível navegação costeira contornando as margens geográficas quando o transporte terrestre se mostrava inviável.

O transporte em múltiplas etapas reflete uma coesão social e uma clareza de propósito sem paralelos para o período.

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Planejamento e coesão sociopolítica das comunidades

O nível de organização exigido para mover um bloco de seis toneladas por 700 quilômetros expõe a complexidade estrutural dessas antigas comunidades. Transportar a Pedra do Altar exigiu planejamento de longuíssimo prazo, profundo conhecimento geográfico territorial e severa cooperação. Não se trata de uma demonstração de força bruta, mas de uma gestão magistral de recursos e trabalho coletivo.

As próximas fases da pesquisa britânica e australiana buscarão identificar o ponto de extração exato da pedra nas terras escocesas.

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A exploração dessas antigas vias de transporte reforça como a ciência de dados e a geologia reescrevem a história civilizatória. A capacidade de articular um esforço logístico colossal demonstra que o avanço estrutural antecede em milênios as ferramentas modernas de engenharia.

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