Europa
Diário Carioca
Fraude

Albânia bloqueia ativos de parceiros de Jared Kushner em investigação de fraude

Bloqueio de bens atinge construtora ligada ao resort de 4 bilhoes de dolares, exacerbando tensões com a Grecia e a Uniao Europeia.
Wikimedia Commons

Procuradores anticorrupção da Albânia determinaram, na última terça-feira, o congelamento das contas bancárias da Albania Land Development. A medida ocorre no âmbito de uma investigação sobre supostas fraudes em títulos de propriedade envolvendo um megaprojeto turístico de 4 bilhões de dólares, vinculado à Affinity Partners, empresa de investimentos de Jared Kushner.

Publicidade

O projeto, que prevê um resort de luxo na área protegida de Zvërnec, tem sido o epicentro de uma crise que combina denúncias de corrupção, tensões diplomáticas e protestos populares. A empresa alvo do bloqueio pertence aos empresários catarianos Moutaz e Ramez Al-Khayyat, parceiros estratégicos de Kushner no empreendimento.

A insurreição popular contra a venda da costa

O caso ganhou contornos críticos após uma série de manifestações em Tirana sob o lema “A Albânia não está à venda”. Ambientalistas e moradores locais denunciam a destruição do ecossistema de Pishë-Poro-Nartë, um santuário ecológico vital para flamingos e tartarugas marinhas, que agora corre risco de ser suplantado pelo concreto de luxo.

  • Milhares de manifestantes ocuparam as ruas da capital.
  • Confrontos entre seguranças privados e manifestantes geraram repercussão nacional.
  • Prisão de um funcionário da Major Security por agressão e privação de liberdade.
  • Investigação interna instaurada sobre a conduta da Polícia de Vlora.

O dilema diplomático e a soberania

O projeto tornou-se um incidente diplomático com a Grécia, após um cidadão grego ter sido ferido durante os protestos por direitos de propriedade na região. Atenas exigiu responsabilização e vinculou a questão aos critérios de adesão da Albânia à União Europeia, sinalizando que o respeito à propriedade e a proteção ambiental são cláusulas pétreas para o bloco.

O primeiro-ministro Edi Rama, em uma tentativa de conter o desgaste político, condenou a violência dos guardas e validou o bloqueio financeiro. Contudo, defendeu a continuidade dos investimentos estrangeiros, alegando que os riscos ambientais estão sendo mitigados por escritórios de arquitetura internacionais, em uma narrativa de inserção do país na elite do turismo global.

Consequências para a integração europeia

A Comissão Europeia elevou o tom, advertindo que a Albânia deve demonstrar conformidade estrita com os padrões ambientais e de Estado de direito. A prorrogação da lei de investimentos estratégicos, utilizada para viabilizar projetos como o de Kushner, é vista como um possível obstáculo para as aspirações de adesão do país à União Europeia.

Publicidade

A colisão entre os interesses da Affinity Partners e as normativas europeias expõe a fragilidade das instituições albanesas diante do capital especulativo. O desenrolar da investigação sobre a fraude imobiliária servirá como teste para a capacidade do país em subordinar grandes empreendimentos estrangeiros aos seus próprios controles legais e ambientais.

Publicidade
Publicidade
PublicidadeParimatch_Cassino_online