À PF, Carlos Bolsonaro nega envolvimento com Ramagem e espionagem

Vereador presta depoimento à PF e se afasta da suspeita sobre uso ilegal da Abin
5 de abril de 2025
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Carlos Bolsonaro | Reprodução/Redes sociais
Carlos Bolsonaro | Reprodução/Redes sociais

Rio de Janeiro O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) afirmou à Polícia Federal que não possui proximidade com o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, e negou qualquer participação em reuniões com representantes estrangeiros sobre o sistema espião First Mile. O depoimento ocorreu na sexta-feira (4), na superintendência da PF no Rio.

Além dele, sua assessora, Luciana Paula Almeida, também prestou esclarecimentos. Ambos negaram envolvimento em ações de espionagem ou solicitação de informações obtidas de forma ilegal.


PF investiga desvios de função na Abin

A Polícia Federal investiga o uso indevido do sistema First Mile, adquirido no fim do governo Michel Temer. O software, desenvolvido pela empresa israelense Cognyte, permite rastreamento de celulares por meio de GPS. Servidores da Abin operavam o sistema a partir do Centro de Inteligência Nacional (CIN), criado na gestão de Jair Bolsonaro e vinculado ao gabinete de Ramagem.

O CIN foi desmontado pelo atual governo. Segundo as investigações, o software monitorou ilegalmente jornalistas, advogados, juízes, policiais e servidores públicos.


Carlos nega proximidade com Ramagem

No depoimento, Carlos Bolsonaro explicou que conheceu Ramagem apenas após sua nomeação como chefe da segurança de Jair Bolsonaro, em 2018. O então diretor da Abin se aproximou da família após o atentado sofrido por Jair em Juiz de Fora (MG), durante a campanha presidencial.

Carlos negou presença em qualquer reunião com representantes de Israel. A negociação do software espião motivou a abertura do inquérito, que já se encontra na fase final.


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Assessora também refuta acusações

A assessora parlamentar Luciana Paula Almeida declarou à PF que não participou de nenhuma ação ilegal de espionagem, nem solicitou investigações clandestinas. Ela também não confirmou envolvimento com reuniões que envolviam tecnologia de rastreamento.

Ambos foram alvos de busca e apreensão em janeiro de 2024. Os agentes cumpriram mandados em dois endereços de Carlos Bolsonaro, incluindo uma residência em Angra dos Reis (RJ).


Defesa de Carlos se manifesta

A defesa de Carlos Bolsonaro afirmou que ele colaborou com as autoridades, mesmo sem acesso aos autos da investigação.

“O Vereador colaborou respondendo a todos os quesitos encaminhados para a PF/RJ”, diz a nota oficial.
“A defesa confia que agora a investigação será concluída e definitivamente arquivada.”

Os advogados relataram dois pedidos formais para acesso aos autos: o primeiro, feito em 2 de fevereiro de 2024, e o segundo, em 3 de abril de 2025, logo após a intimação para o depoimento.


Saiba mais sobre o caso da “Abin paralela”

  • Carlos Bolsonaro depôs à Polícia Federal no Rio de Janeiro em 4 de abril.
  • O vereador negou relação com Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin.
  • Também negou envolvimento com representantes estrangeiros que negociavam o software First Mile.
  • O programa, criado em Israel, permite rastreamento via GPS.
  • O sistema operava no Centro de Inteligência Nacional, vinculado à gestão Bolsonaro.
  • A PF apura se houve uso indevido da ferramenta para espionagem ilegal.
  • A assessora Luciana Almeida também foi ouvida e negou envolvimento.
  • Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados ao vereador.

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