São Paulo – O número de mortes de crianças e adolescentes causadas por ação da Polícia Militar em São Paulo cresceu 120% entre 2022 e 2024, segundo um relatório divulgado pelo Unicef e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento indica que os casos subiram de 35 para 77 no período, sendo que jovens negros representam 67% das vítimas.
O estudo também aponta que as Mortes Decorrentes de Intervenção Policial (MDIP) representam 34% dos homicídios violentos na faixa etária de 10 a 19 anos. O número coloca a violência policial como a segunda principal causa de mortes violentas de jovens no estado.
Mudanças na política de segurança pública
O aumento das mortes coincide com o início do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PL). A atual gestão promoveu mudanças nas diretrizes da Polícia Militar, incluindo alterações na Corregedoria da corporação e mudanças na política de câmeras corporais.
Tarcísio, que durante a campanha criticou o uso de câmeras, reduziu os autos de prisão em flagrante de policiais em 48% e os processos disciplinares em 46%. O governo também implementou uma regra que exige autorização do subcomandante-geral da PM para afastar policiais envolvidos em ocorrências.
A polêmica sobre as câmeras corporais
O governo paulista anunciou a substituição dos equipamentos de gravação ininterrupta por modelos que dependem da ativação manual pelo próprio policial ou pelo centro de operações. Especialistas alertam que a medida pode reduzir a transparência das ações policiais.
Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ressaltou o impacto da mudança: “Se hoje já há tentativas de obstruir gravações, a situação pode piorar com a eliminação da gravação contínua”.
O impacto na segurança pública
O relatório também aponta um aumento de 157% nas mortes por intervenção policial entre adultos acima de 20 anos. Além disso, o número de policiais mortos em serviço cresceu 133%, passando de 6 casos em 2022 para 14 em 2024.
Em resposta, a Secretaria de Segurança Pública declarou que não tolera desvios de conduta e que desde 2023 puniu 550 policiais com prisão e expulsou ou demitiu 364 agentes.
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Entenda o aumento da letalidade policial em São Paulo
- As mortes de jovens por intervenção policial subiram 120% entre 2022 e 2024.
- A gestão de Tarcísio de Freitas reduziu a fiscalização e alterou regras da Corregedoria da PM.
- O uso de câmeras corporais foi modificado, gerando preocupações de especialistas.
- O número de policiais mortos em serviço também cresceu.