Assassinatos de crianças e adolescentes pela PM de Tarcísio e Derrite aumentam 120%

Relatório aponta crescimento alarmante de mortes por intervenção policial entre 2022 e 2024
3 de abril de 2025
Leia em 2 minutos
Tarcísio e Derrite em evento da Polícia Militar de SP. Foto: reprodução
Tarcísio e Derrite em evento da Polícia Militar de SP. Foto: reprodução

São Paulo O número de mortes de crianças e adolescentes causadas por ação da Polícia Militar em São Paulo cresceu 120% entre 2022 e 2024, segundo um relatório divulgado pelo Unicef e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento indica que os casos subiram de 35 para 77 no período, sendo que jovens negros representam 67% das vítimas.

O estudo também aponta que as Mortes Decorrentes de Intervenção Policial (MDIP) representam 34% dos homicídios violentos na faixa etária de 10 a 19 anos. O número coloca a violência policial como a segunda principal causa de mortes violentas de jovens no estado.

Mudanças na política de segurança pública

O aumento das mortes coincide com o início do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PL). A atual gestão promoveu mudanças nas diretrizes da Polícia Militar, incluindo alterações na Corregedoria da corporação e mudanças na política de câmeras corporais.

Tarcísio, que durante a campanha criticou o uso de câmeras, reduziu os autos de prisão em flagrante de policiais em 48% e os processos disciplinares em 46%. O governo também implementou uma regra que exige autorização do subcomandante-geral da PM para afastar policiais envolvidos em ocorrências.

A polêmica sobre as câmeras corporais

O governo paulista anunciou a substituição dos equipamentos de gravação ininterrupta por modelos que dependem da ativação manual pelo próprio policial ou pelo centro de operações. Especialistas alertam que a medida pode reduzir a transparência das ações policiais.

Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ressaltou o impacto da mudança: “Se hoje já há tentativas de obstruir gravações, a situação pode piorar com a eliminação da gravação contínua”.

O impacto na segurança pública

O relatório também aponta um aumento de 157% nas mortes por intervenção policial entre adultos acima de 20 anos. Além disso, o número de policiais mortos em serviço cresceu 133%, passando de 6 casos em 2022 para 14 em 2024.

Em resposta, a Secretaria de Segurança Pública declarou que não tolera desvios de conduta e que desde 2023 puniu 550 policiais com prisão e expulsou ou demitiu 364 agentes.


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Entenda o aumento da letalidade policial em São Paulo

  • As mortes de jovens por intervenção policial subiram 120% entre 2022 e 2024.
  • A gestão de Tarcísio de Freitas reduziu a fiscalização e alterou regras da Corregedoria da PM.
  • O uso de câmeras corporais foi modificado, gerando preocupações de especialistas.
  • O número de policiais mortos em serviço também cresceu.

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