A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um pronunciamento histórico, condenou a tentativa de golpe de Estado que envolveu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados. Em sua fala, realizada nesta quarta-feira (26), a ministra alertou sobre os riscos de rupturas institucionais, destacando a importância da defesa da democracia. Ela afirmou enfaticamente: “Ditadura mata. Ditadura vive da morte.”
Cármen Lúcia, durante o julgamento da denúncia na Primeira Turma do STF, sublinhou que o ataque de 8 de janeiro de 2023 não foi um evento isolado, mas parte de um plano mais amplo de desestabilização da democracia. A ministra também mencionou a historiadora Heloisa Starling, para ressaltar que um golpe é construído ao longo do tempo e não se resume a um único episódio.
A crítica ao golpe de 8 de janeiro
A ministra Cármen Lúcia criticou veementemente os ataques de 8 de janeiro de 2023, relacionando-os diretamente com uma série de ações golpistas que vinham sendo articuladas anteriormente. Ela enfatizou que, para entender o golpe, é preciso “desenrolar do dia 8 pra trás”, implicando que a tentativa de desestabilização da democracia não ocorreu de maneira repentina.
“O que é preciso é desenrolar do dia 8 pra trás, para chegarmos a esta máquina que tentou desmontar a democracia. Porque isso é fato”, afirmou Cármen Lúcia.
O alerta sobre a ameaça à democracia
Em sua fala, a ministra foi enfática ao declarar que os riscos de um golpe são reais e que a sociedade deve estar vigilante para impedir retrocessos no Estado Democrático de Direito. Ela comparou os riscos à grave ameaça que representaria uma ditadura, dizendo que ela “vive da morte”.
A ministra também abordou sua preocupação com os bastidores da eleição de 2022, especialmente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mencionando um episódio crucial no qual antecipou a diplomação do então presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “A diplomação foi antecipada para o dia 12 de dezembro, porque o risco existia, e a responsabilidade exigia ação”, afirmou.
A confiança no processo eleitoral
Ao final de sua fala, Cármen Lúcia reafirmou sua confiança no sistema eleitoral brasileiro. “É confiável, seguro, hígido o processo eleitoral brasileiro”, disse, destacando a importância do Judiciário para proteger a democracia e impedir qualquer movimento que tente subverter os direitos conquistados pela população.
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Entenda o caso
- O que motivou o julgamento?
O STF analisa a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados, acusados de tentar desestabilizar a democracia através de um golpe de Estado. - Qual foi o papel de Cármen Lúcia?
A ministra Cármen Lúcia fez um pronunciamento histórico, condenando a tentativa de golpe e defendendo a democracia, alertando para os perigos de retrocessos. - O que aconteceu em 8 de janeiro de 2023?
O ataque de 8 de janeiro foi uma tentativa de golpe, visto como parte de um movimento golpista maior que visava deslegitimar a eleição de Lula. - Como a ministra reagiu ao risco de golpe?
Cármen Lúcia antecipou a diplomação de Lula em dezembro de 2022, devido aos riscos iminentes.