Brasília – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa extra de 10% sobre todas as exportações brasileiras. A medida foi anunciada nesta quarta-feira (2 de abril) por Donald Trump, como parte de sua política de “tarifas recíprocas”. O governo brasileiro estuda medidas para garantir a reciprocidade comercial, incluindo a possibilidade de acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC).
Brasil pode retaliar EUA no comércio
O comunicado oficial ressalta que o Brasil busca manter o diálogo com os Estados Unidos, mas está preparado para adotar medidas de retaliação. O governo avalia a elevação de tarifas sobre produtos americanos, aumento de tributos em setores como cinema e música, e até mesmo quebra de patentes de medicamentos.
Além disso, o Projeto de Lei da Reciprocidade Econômica, já aprovado pelo Senado e em tramitação na Câmara dos Deputados, permitiria ao Brasil responder de forma equivalente a tarifas impostas por outros países.
Superávit comercial dos EUA com Brasil
O governo brasileiro destaca que os Estados Unidos mantêm um superávit comercial expressivo com o Brasil. Em 2024, os EUA exportaram US$ 28,6 bilhões a mais do que importaram do Brasil, somando bens e serviços. Apenas em mercadorias, o superávit chegou a US$ 7 bilhões.
Para o governo, a justificativa de Trump para impor tarifas não condiz com a realidade. Segundo a nota oficial, “a imposição unilateral de uma tarifa adicional de 10% ao Brasil, sob a alegação de reequilíbrio comercial, não reflete os dados econômicos”.
Lista de tarifas aplicadas por Trump
O decreto de Trump determina sobretaxas de acordo com o nível de proteção comercial de cada país. O Brasil está no grupo de menor impacto, com 10%, assim como Reino Unido, Cingapura e Austrália. Outros países tiveram tarifas mais altas:
- Camboja: 49%
- Vietnã: 46%
- Sri Lanka: 44%
- Tailândia: 36%
- China: 34%
- Japão: 24%
- União Europeia: 20%
- Brasil, Reino Unido, Austrália: 10%
Novas tarifas sobre automóveis
Trump também confirmou que, a partir da meia-noite de quinta-feira, todos os automóveis fabricados fora dos EUA serão taxados em 25%. A medida amplia restrições anteriores para beneficiar a indústria automobilística americana.
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Entenda o impacto das tarifas dos EUA no Brasil
- Tarifa extra de 10% sobre exportações brasileiras.
- Governo brasileiro avalia retaliação, incluindo ação na OMC.
- Projeto de Lei da Reciprocidade pode permitir resposta direta.
- Superávit dos EUA com o Brasil foi de US$ 28,6 bilhões em 2024.
- Outros países foram taxados com valores maiores, como China (34%) e Japão (24%).
- Novas tarifas de 25% sobre automóveis fabricados fora dos EUA.