Brasília – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a chance de pautar o projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 é “zero”. Apesar da pressão de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, ele descartou avançar com a proposta.
Segundo a GloboNews, Motta comunicou sua decisão a parlamentares após aliados de Bolsonaro defenderem a votação da anistia na primeira quinzena de abril. O deputado disse que não vê razão para acelerar a tramitação da matéria.
Motta evita desgaste com Lula
O presidente da Câmara tem buscado manter um relacionamento estável com o governo Lula. Para evitar conflitos, pretende se reunir com parlamentares favoráveis à anistia no dia 1º de abril e, dois dias depois, conversar com líderes partidários sobre o tema.
O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que não há “clima” para discutir o projeto e que a prioridade do Congresso deve ser outras pautas de interesse nacional. “É um erro levar esse debate ao plenário agora. Isso prejudica o diálogo que está sendo feito entre o presidente da Câmara e os líderes partidários”, declarou.
Bolsonaro segue articulando
Apesar da resistência de Motta, Jair Bolsonaro continua articulando a anistia para si e para os envolvidos nos atos golpistas. O PL, seu partido, apoiou a candidatura do deputado para a Presidência da Câmara em troca de avanços no projeto.
No entanto, Motta tem demonstrado públicamente que a pauta não é prioridade. Recentemente, declarou que não existem “perseguições políticas” ou “exilados” no Brasil, o que gerou revolta entre bolsonaristas.
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Entenda o caso: projeto de anistia aos golpistas de 8 de janeiro
- O projeto busca anistiar envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram os três poderes.
- Parlamentares bolsonaristas pressionam pela aprovação da proposta no plenário.
- Hugo Motta afirmou que não pretende pautar o tema na Câmara.
- O governo Lula considera o projeto inoportuno e busca evitar que ele avance.
- Jair Bolsonaro e aliados seguem mobilizados para tentar aprovar a anistia.