Relações Exteriores

Lula diz que Trump não é “Xerife do Mundo” e ameaça taxar produtos americanos

Presidente brasileiro defende multilateralismo e alerta sobre impactos econômicos das medidas de Trump
27 de março de 2025
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante entrevista coletiva à imprensa em Tóquio, no Japão - Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante entrevista coletiva à imprensa em Tóquio, no Japão - Ricardo Stuckert/PR

Tóquio – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos estrangeiros e declarou que o Brasil pode adotar medidas de reciprocidade. Durante entrevista coletiva nesta quinta-feira (27), em Tóquio, Lula afirmou que Donald Trump “não é xerife do mundo” e que as decisões unilaterais do governo americano prejudicam o livre-comércio global.

O presidente disse que a imposição de tarifas afeta diretamente o multilateralismo e pode gerar impactos negativos na economia global. Ele defendeu que o Brasil busque soluções diplomáticas por meio da Organização Mundial do Comércio (OMC). No entanto, alertou que, caso não haja resposta, seu governo responderá com medidas equivalentes, aplicando novas taxas sobre produtos americanos.

Críticas às tarifas americanas

Lula destacou sua preocupação com as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos a diversos setores. Segundo ele, a política tarifária de Trump pode elevar os custos para os consumidores americanos, aumentando a inflação e os juros no país.

“Eu, sinceramente, não sei qual é o benefício de aumentar em 25% os impostos sobre os carros japoneses. Vai ficar mais caro para o povo americano comprar e isso pode resultar em aumento da inflação e dos juros”, afirmou Lula.

O presidente também criticou a falta de diálogo internacional e sugeriu que Trump deveria discutir suas decisões com outros líderes antes de implementar medidas protecionistas.

Brasil recorrerá à OMC

Lula garantiu que o Brasil buscará soluções legais antes de adotar medidas retaliatórias. Segundo ele, o governo entrará com um recurso junto à OMC e, se não houver resultado, adotara medidas de reciprocidade.

“Se a OMC não resolver, vamos utilizar os instrumentos que temos e taxar produtos americanos”, afirmou. O presidente disse esperar que o Japão siga o mesmo caminho, mas destacou que a decisão cabe ao governo japonês.

Ampliação das relações comerciais com a Ásia

A visita de Lula ao Japão e ao Vietnã tem como objetivo fortalecer os laços comerciais entre o Brasil e a Ásia. O presidente ressaltou que a balança comercial entre Brasil e Japão caiu de US$ 17 bilhões em 2011 para US$ 11 bilhões atualmente.

“Temos US$ 6 bilhões para recuperar e vamos trabalhar nisso”, afirmou. Em Hanói, Lula se reunirá com o presidente do Vietnã, Luong Cuong, e o primeiro-ministro Pham Minh Chinh, buscando ampliar o comércio com o país.


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Entenda o caso: Brasil e EUA em tensão comercial

  • Tarifas americanas: O governo de Donald Trump aumentou tarifas sobre produtos estrangeiros, incluindo veículos japoneses.
  • Reação brasileira: Lula defende que o Brasil recorrerá à OMC antes de adotar medidas de retaliação.
  • Impactos econômicos: Lula alerta que as tarifas podem elevar a inflação nos EUA e prejudicar o multilateralismo.
  • Visita à Ásia: Lula busca fortalecer relações comerciais com Japão e Vietnã para ampliar exportações.

Redacao

Equipe de jornalistas do Jornal DC - Diário Carioca

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