O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, enfrenta resistência na Câmara dos Deputados ao tentar aprovar com urgência o projeto de anistia aos condenados pelo 8 de janeiro. O líder da legenda, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou que o partido conseguiu 163 assinaturas, mas ainda precisa de 257 para avançar com o requerimento.
Sem apoio dos líderes partidários, o PL passou a buscar assinaturas individuais de deputados. A estratégia irritou siglas do Centrão, que criticaram a tentativa de pressionar o plenário sem diálogo político.
Estratégia de obstrução amplia desgaste
Para forçar a inclusão do projeto na pauta, o PL utilizou o chamado “kit obstrução”. A medida atrasou votações e o funcionamento das comissões. Contudo, após críticas de parlamentares do centro, o partido recuou e flexibilizou a tática.
O “kit obstrução” é um conjunto de recursos regimentais usado por partidos para travar votações. Essa ação, segundo líderes do centro, gerou tensões desnecessárias e afetou o andamento de outras pautas no plenário.
Hugo Motta evita desgaste com STF
Mesmo que o PL atinja o número necessário de assinaturas, a decisão final sobre o andamento do projeto cabe ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Até agora, ele não sinalizou disposição para colocar o tema em votação.
Segundo interlocutores, Motta busca manter uma relação equilibrada com o Supremo Tribunal Federal (STF) e não pretende entrar em confronto com a Corte ao priorizar um projeto considerado polêmico.
Aliados pedem cautela, PL pressiona
Líderes partidários evitam se comprometer com a proposta por temer repercussão negativa. A ausência de um posicionamento firme de Motta reforça o cenário de incerteza.
“O presidente Motta é e continuará sendo aliado do PL em todas as bandeiras, inclusive a anistia. Mas sabemos que a cadeira de presidente sofre pressões”, declarou Sóstenes Cavalcante.
O deputado afirma que os líderes não assinaram o requerimento porque “não foram autorizados”. No entanto, formalmente, os líderes não precisam de aval do presidente da Câmara para isso.
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Clima tenso entre PL e o centro
Nos bastidores, líderes do Centrão reclamam do comportamento do PL. Para eles, o partido tenta “empurrar” a proposta sem articulação. Um parlamentar comparou a estratégia a uma “tática kamikaze”.
Segundo o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), “eles estão se isolando e entrando em atrito com os partidos de centro”. Para ele, a postura pode prejudicar negociações futuras da legenda bolsonarista.
Entenda: disputa por anistia aos réus do 8 de janeiro
O que está em jogo no embate na Câmara dos Deputados:
- O PL tenta aprovar com urgência o projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
- O partido conseguiu 163 assinaturas, mas precisa de 257.
- Líderes partidários se recusam a assinar o requerimento.
- O PL adotou táticas de obstrução, irritando o Centrão.
- Hugo Motta evita pautar o tema para não se desgastar com o STF.
- A crise expõe isolamento político do PL na Câmara.