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Com que moral?

Hipócrita, Silas Malafaia ataca Wagner Moura, mas não fala que Marcha para Jesus usa dinheiro público

Enquanto o ator brasileiro faz história com o Globo de Ouro, o pastor da Renascer tenta sufocar o debate sobre o uso de verbas públicas na Marcha para Jesus.

12 de janeiro de 2026

O embate entre a arte insurgente e o fundamentalismo de mercado ganha novos contornos com a vitória de Wagner Moura no Globo de Ouro de 2026. Ao classificar o governo Bolsonaro como fascista — uma descrição técnica da pilhagem democrática ocorrida entre 2018 e 2022 — o ator tocou no nervo exposto da extrema-direita.

A reação furiosa de Silas Malafaia, que tenta desviar o foco para a Lei Rouanet, é um exercício de projeção psicológica: o pastor que hoje ataca o financiamento da cultura é o mesmo que virou réu por improbidade administrativa ao lado de Eduardo Paes. A “corrupção legalizada” que Malafaia finge combater na arte é, ironicamente, o oxigênio que alimenta eventos religiosos financiados por prefeituras em detrimento de políticas públicas universais.

  • Wagner Moura conquistou o Globo de Ouro de Melhor Ator de Drama por “O Agente Secreto”, filme que expõe as vísceras da ditadura militar brasileira, tema que a direita tenta apagar da memória coletiva.
  • Silas Malafaia utilizou as redes sociais para desferir ataques pessoais, chamando o ator de “cretino” e sugerindo o exílio em Cuba, estratégia retórica mofada usada para silenciar críticas ao fascismo bolsonarista.
  • O histórico de Malafaia com o dinheiro público inclui uma ação de improbidade envolvendo R$ 1,6 milhão destinados à Marcha para Jesus em 2012, sem licitação, sob a gestão de Eduardo Paes no Rio de Janeiro.

O dízimo público e a amnésia seletiva

A indignação de Malafaia com os R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual para o cinema brasileiro é seletiva e oportunista. Enquanto ataca o fomento cultural que gera empregos e prestígio internacional, o pastor silencia sobre os R$ 1,9 milhão liberados por Paes em 2025 para a Marcha para Jesus. A hipocrisia é o dízimo da extrema-direita: exigem o estado laico para fugir de impostos, mas buscam o estado teocrático para abocanhar orçamentos municipais. Como bem observou o diretor Kleber Mendonça Filho, fazer cinema no Brasil é um ato de resistência contra aqueles que preferem a escuridão da ignorância ao brilho da tela.

PersonagemDiscurso públicoPrática nos bastidores
Wagner MouraDenuncia o fascismo e a ditaduraEleva a cultura nacional ao topo do mundo
Silas MalafaiaCritica o uso de verbas na culturaRéu por uso irregular de dinheiro público
Eduardo PaesDefende a pluralidade religiosaFavorece aliados evangélicos com verba direta
Kleber MendonçaFoca na memória e nos traumasExpõe a pilhagem histórica das elites

O evangelho do ódio vencerá a memória da arte?

Não, pois a arte possui a permanência que o oportunismo político desconhece. Enquanto os gritos de Malafaia ecoam apenas em bolhas digitais em busca de engajamento, a estatueta de Moura e a denúncia da ditadura ficam gravadas na história mundial. A tentativa de criminalizar o fomento à cultura é o último recurso de quem sabe que, em um país educado e consciente de seu passado, não haveria espaço para mercadores da fé que tratam o erário como conta particular.

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