
O telejornalismo da Rede Globo parece ter encontrado um novo chanceler, embora ninguém o tenha nomeado. Na edição desta quarta-feira (14), César Tralli abandonou a postura de mediador da notícia para encarnar um porta-voz indignado do Departamento de Estado norte-americano. O motivo do seu incômodo? O presidente Lula e Vladimir Putin conversaram sobre a Venezuela — o epicentro da crise atual após a agressão imperialista dos EUA — e, vejam só, não gastaram seu tempo falando sobre a Ucrânia.
A “Navalha Carioca” corta o editorial disfarçado de notícia: Tralli, com o semblante carregado e o tom de quem dá uma bronca em um estagiário, classificou a Ucrânia como uma “nação soberana” agredida, enquanto convenientemente ignorava que o motivo do telefonema era justamente a defesa da soberania venezuelana, violada pela bota de Washington. Para a Globo, a soberania só é sagrada quando interessa aos seus parceiros do Norte. O “chilique” do âncora, que viralizou nas redes, expõe a dificuldade da mídia corporativa em aceitar que o Brasil de 2026 possui uma política externa altiva e ativa, que dialoga com os BRICS para frear o avanço do caos em seu próprio quintal.
Perspectivas Editoriais
O JN tenta pautar o Itamaraty pelo retrovisor. Lula e Putin discutiram o que era urgente: a garantia dos interesses nacionais da República Bolivariana após a captura de Maduro por forças estrangeiras. Exigir que o Brasil se comporte como um satélite da OTAN em cada ligação telefônica é um anacronismo que Tralli parece não querer abandonar. Enquanto o mundo se reorganiza em blocos de resistência ao imperialismo, a Globo continua tentando vender a versão de que o Brasil deve ser o bedel da Ucrânia, ignorando o petróleo que os EUA tentam roubar na Venezuela sob o pretexto da “liberdade”.
O Script do Incômodo: Tralli vs. Realpolitik
O “incômodo” de César Tralli reflete o descompasso entre a narrativa globalista e a diplomacia de resultados dos BRICS:
| Fato Real | O “Chilique” do JN | A Verdade da Navalha |
| Pauta: Venezuela. | “Deveria ter falado de Ucrânia”. | O Brasil prioriza a estabilidade regional e o fim da agressão dos EUA na AL. |
| Soberania Estatal. | Foca apenas na soberania ucraniana. | Omissão proposital sobre o sequestro de Maduro e o roubo do petróleo venezuelano. |
| Coordenar esforços. | Tenta pintar o diálogo como “omissão”. | Lula e Putin reforçam a multipolaridade contra a intervenção unilateral de Washington. |
| Tom de Crítica. | Linguagem corporal e ênfase indignada. | Jornalismo de opinião travestido de informação objetiva. |
A Vênus de Rapina
O espetáculo dado por Tralli é pedagógico. Ele demonstra que, para a Vênus Platinada, o Brasil só está “certo” quando repete o script decidido em Washington. Ao cobrar que Lula repreenda Putin em meio a uma crise brutal na América Latina, o âncora ignora que a diplomacia é a arte do possível e da conveniência nacional. A agressão dos EUA à Venezuela — que resultou na captura criminosa de um chefe de Estado — é o elefante na sala que o Jornal Nacional tenta esconder com a cortina da Ucrânia.
O povo brasileiro, que assiste à reconstrução do país e à sanção de um orçamento social, não se deixa enganar pelo tom professoral de quem ainda sonha com um Brasil de joelhos. Se o Kremlin e o Planalto compartilham “abordagens fundamentais” sobre soberania, é porque o mundo mudou e a Globo ficou parada na Guerra Fria. Enquanto Tralli faz beicinho na bancada, a diplomacia brasileira trabalha para que a Venezuela não se torne o próximo território pilhado pelo desejo ianque de controlar as reservas mundiais de energia.





