Eleições
Diário Carioca

Vice de Eduardo Paes confirma apoio a Flávio Bolsonaro

A escolha de Jane Reis (MDB) como vice na chapa de Eduardo Paes (PSD) ao Governo do Rio consolidou um cenário de "palanque duplo": enquanto Paes permanece como o principal aliado de Lula no estado, sua vice caminhará com o clã Bolsonaro na disputa federal.
Candidato ao governo do RJ Eduardo Paes (PSD) e sua candidata a vice, Jana Reis (MDB)

A corrida pelo Palácio Guanabara em 2026 oficializou uma configuração política inusitada nesta segunda-feira (9). Jane Reis, indicada pelo MDB para a vice-presidência na chapa de Eduardo Paes, confirmou que seguirá a diretriz de seu partido e apoiará a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL).

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Por que isso importa agora? O Rio de Janeiro é o epicentro da polarização nacional. O arranjo permite que Eduardo Paes tente avançar sobre o eleitorado conservador da Baixada Fluminense — reduto da família Reis — sem romper sua aliança estratégica com o presidente Lula. A chapa “Lula-Paes-Bolsonaro” (via vice) reflete o pragmatismo necessário para enfrentar a máquina estadual hoje controlada pelo PL.

O Perfil da Vice: Religião e Baixada

A escolha de Jane Reis não foi aleatória. O PSD de Paes buscava um perfil específico para equilibrar a chapa: uma mulher, com forte penetração no meio evangélico e fora do eixo da capital.

  • O Clã Reis: Jane pertence à dinastia política de Duque de Caxias, sendo ligada a Washington Reis e Rosenverg Reis. A família é historicamente próxima aos Bolsonaro, o que garante a Flávio um palanque capilarizado na Baixada Fluminense.
  • Segmento Evangélico: A presença de Jane visa mitigar a resistência de setores religiosos a Paes, devido à sua proximidade com o PT.

Palanques Opostos e a “Divisão de Tarefas”

A dinâmica de campanha no Rio será esquizofrênica, mas calculada. Na prática, o eleitor carioca verá dois movimentos distintos:

  1. Agenda Pro-Lula: Quando o presidente estiver no estado, Eduardo Paes será o anfitrião, reforçando a parceria para obras e investimentos federais no Rio.
  2. Agenda Pro-Flávio: Quando o pré-candidato do PL fizer campanha, será Jane Reis quem subirá no palanque, garantindo que o MDB mantenha sua fidelidade ao projeto bolsonarista.

Eduardo Paes minimizou a contradição, tratando o arranjo como algo natural da política de coalizão: “Qual é a novidade? O próprio Washington anunciou isso no dia da coligação”, afirmou o prefeito.

A Frente de Oposição: Douglas Ruas e o PL

Do outro lado do espectro, a direita já definiu sua contraofensiva. A chapa de oposição ao grupo de Paes será encabeçada por Douglas Ruas (PL), ex-secretário de Cláudio Castro e nome de confiança do governador.

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  • Vice da Oposição: O nome escolhido foi Rogério Lisboa (PP), ex-prefeito de Nova Iguaçu, em uma tentativa direta de neutralizar a influência de Paes e dos Reis na Baixada Fluminense.

O Fator 2026 no Rio

A disputa pelo governo estadual será um termômetro para a eleição presidencial. Com a máquina da prefeitura da capital nas mãos e o apoio de Lula, Paes tenta retornar ao Guanabara. Contudo, ao aceitar uma vice bolsonarista, ele assume o risco de críticas tanto da esquerda radical, que vê na aliança uma “traição” ideológica, quanto da direita, que enxerga o movimento como puro oportunismo eleitoral.

A “paz armada” entre Paes e o clã Reis garante, por ora, a maior estrutura partidária do estado, unindo PSD, MDB e o apoio informal de setores do PT, criando um bloco de poder que tenta isolar o atual grupo governista de Cláudio Castro.

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