Rio de Janeiro
Diário Carioca
O Povo que se Dane

Rio bane dinheiro nos ônibus e isola motorista.

Prefeitura estabelece o cartão Jaé preto como padrão obrigatório para integrações e inicia operação pública da Mobi-Rio em linhas convencionais.
Marcos de Paula

O Rio de Janeiro oficializou o divórcio definitivo entre as cédulas de papel e as roletas dos ônibus. Em anúncio realizado nesta quinta-feira (14/05) no Centro de Operações Rio (COR), o prefeito Eduardo Cavaliere e o secretário de Transportes, Jorge Arraes, detalharam a migração para um sistema 100% digital. A partir de 30 de maio, o dinheiro em espécie deixa de circular dentro dos coletivos municipais, consolidando o Jaé como a moeda única da mobilidade carioca.

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A medida não é apenas estética; é uma manobra de segurança pública e eficiência operacional. Ao eliminar o numerário a bordo, a prefeitura ataca de frente a dupla função dos motoristas, permitindo que o foco seja exclusivamente a condução do veículo, e reduz o interesse de criminosos por assaltos a coletivos.

A soberania do cartão preto

A arquitetura tarifária sofre uma mudança drástica para o usuário. O cartão Jaé verde, embora continue válido para viagens unitárias, perde o “superpoder” da integração. Quem deseja usufruir do Bilhete Único Carioca (BUC) ou do Bilhete Único Margaridas (BUM) precisará, obrigatoriamente, portar o cartão Jaé preto ou utilizar o QR Code via aplicativo.

O movimento força a bancarização digital do passageiro, garantindo à Prefeitura do Rio uma transparência inédita sobre o fluxo de subsídios públicos. Com apenas 9% das transações atuais sendo feitas em dinheiro, o governo municipal entende que o terreno já está pavimentado para essa transição tecnológica.

Ocupação estratégica na Ilha

O anúncio trouxe ainda uma novidade que mexe com o tabuleiro das empresas privadas: a Mobi-Rio, estatal que recuperou o BRT, fará sua estreia nas linhas de ônibus convencionais. O alvo inicial é a linha 634 (Saens Peña x Bananal), na Ilha do Governador, que passa para o controle público já neste domingo (17/05).

A intervenção é uma resposta direta à má prestação de serviços da operadora anterior. A 634 funcionará como o “tubo de ensaio” do novo modelo: 25 ônibus novos, climatizados, operação 24 horas e zero aceitação de dinheiro desde o primeiro dia de operação pela Mobi-Rio.

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Confira os pilares da nova bilhetagem:

  • Fim da Dupla Função: Motoristas deixam de atuar como cobradores, aumentando a segurança viária.
  • Transparência Total: Rastreamento digital de cada centavo injetado no sistema via subsídio.
  • Agilidade no Embarque: Redução do tempo de parada nos pontos com a validação instantânea do Jaé.
  • Segurança Preventiva: Menos circulação de espécie atrai menos ocorrências de roubos internos.

Abaixo, os detalhes da transição tarifária que o carioca precisa dominar:

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ModalidadeStatus com Cartão Preto/QR CodeStatus com Cartão Verde
Viagem UnitáriaPermitida (R$ 5,00)Permitida (R$ 5,00)
Integração BUCAté 3 viagens em 3hProibida (Cobra nova tarifa)
Integração BUMAté 4 viagens em 20hProibida (Cobra nova tarifa)
Pagamento a BordoSomente DigitalSomente Digital

O horizonte para os passageiros é de adaptação rápida. Para quem ainda carrega notas no bolso, a recarga continuará disponível em mais de 2 mil pontos e máquinas de autoatendimento. O dinheiro não morreu, mas sua presença dentro do ônibus tornou-se oficialmente coisa do passado.

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