Em um movimento que redefine a pragmática das relações exteriores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o homônimo norte-americano, Donald Trump, mantiveram nesta segunda-feira (26) uma conversa telefônica de quase uma hora que sinaliza um “armistício” econômico e uma agenda de cooperação inesperada.
Para o trabalhador que teme o impacto do protecionismo ianque no preço da cesta básica, o resultado imediato é um alento: o levantamento de parte significativa das tarifas sobre produtos brasileiros, fruto de uma costura diplomática que privilegia o crescimento mútuo em detrimento da retórica de isolamento.
A conversa, embora amigável no campo econômico, não fugiu dos espinhos geopolíticos. Lula, mantendo sua postura de defensor do multilateralismo, foi enfático ao tratar do convite para o “Conselho da Paz” proposto pela Casa Branca.
O brasileiro não aceitou um cheque em branco: propôs que o órgão se limite à questão de Gaza e, crucialmente, exigiu um assento para a Palestina — um movimento que reafirma a posição do Brasil como mediador equilibrado e defensor da reforma da ONU e do Conselho de Segurança.
É a diplomacia da altivez enfrentando o unilateralismo de Washington com propostas concretas de governança global.
No campo da segurança, Lula apresentou uma proposta de “asfixia” ao crime organizado, focando na lavagem de dinheiro e no congelamento de ativos, pautas que encontraram eco no discurso de “lei e ordem” de Trump.
Sobre a Venezuela — tema que ferve após a captura de Maduro e a resistência de Delcy Rodríguez —, o brasileiro pregou a estabilidade regional, servindo como o contrapeso necessário aos impulsos intervencionistas do Norte.
O desfecho do diálogo é a confirmação de uma visita oficial de Lula a Washington em fevereiro, logo após seus compromissos na Ásia.
Em 2026, o Brasil prova que é possível dialogar com o império sem se curvar a ele, usando a economia como escudo e a retórica como espada.

