Investigado

Chefe de gabinete de Hugo Motta segue na mira da Justiça em ação por funcionário fantasma

Mesmo com o tempo passando, a suspeita de enriquecimento ilícito continua ativa, mostrando que cargos comissionados podem render investigações duradouras.

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
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Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
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Hugo Motta - © José Cruz/Agência Brasil

A Justiça Federal do Distrito Federal decidiu manter em andamento a ação de improbidade administrativa contra Ivanadja Velloso Meira Lima, chefe de gabinete do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

A magistratura rejeitou pedido da defesa que alegava prescrição, permitindo que o processo proposto pelo Ministério Público Federal (MPF) siga seu curso.

Suspeita de funcionário fantasma

Segundo a acusação, Ivanadja Velloso teria movimentado a conta bancária de Francisco Macena Duarte, ex-secretário parlamentar nomeado no gabinete do então deputado federal Wilson Santiago (Republicanos-PB).

Francisco Macena afirmou em depoimento que nunca trabalhou em Brasília, desconhecia o valor do salário e não sabia o número da conta vinculada ao cargo na Câmara. Ele também exercia função de motorista em uma prefeitura no interior da Paraíba no mesmo período, reforçando a suspeita do MPF de que jamais prestou serviços ao Legislativo federal.

Controle de salários e prejuízo ao erário

Documentos indicam que Ivanadja possuía procuração assinada por Francisco Macena, permitindo emitir cheques, realizar saques e movimentar valores em nome do servidor, controlando integralmente a conta bancária do funcionário.

A ação sustenta que Ivanadja incorporou de forma consciente verbas públicas federais ao patrimônio particular entre novembro de 2005 e novembro de 2009, com pagamentos de cerca de R$ 224 mil, enquanto o servidor exercia jornada integral de motorista na Prefeitura de Poço de Dantas.

Embora secretários parlamentares possam atuar na base eleitoral, a acumulação de cargos públicos e a ausência de comprovação de atividades no Legislativo levantam indícios de irregularidades, segundo o MPF.

Prescrição rejeitada e próximos passos

Ivanadja atuou como chefe de gabinete de Wilson Santiago até 31 de janeiro de 2011 e, em seguida, passou a integrar o gabinete de Hugo Motta, onde permanece até hoje. Documentos apontam manutenção do padrão de atuação, incluindo procurações para movimentar salários de outros funcionários.

O juiz destacou que, apesar de os fatos investigados terem ocorrido entre 2005 e 2009, houve vínculo ininterrupto com a administração pública. Com base em entendimento do STJ, o prazo prescricional só começa após a extinção definitiva do último vínculo funcional.

Com a decisão, o processo entra na fase de especificação de provas. As partes têm 15 dias para se manifestar. A defesa pretende produzir prova testemunhal, enquanto o MPF não busca novas provas documentais nem acordo de não persecução cível.

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JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.