Humilhação Internacional

O beija-mão recusado: Vassalo Flávio Bolsonaro colhe o vácuo imperial e é ignorado em Washington

Em busca de uma foto redentora com Marco Rubio, o primogênito do clã descobre que, para o governo Trump, o papel de satélite submisso não garante sequer um horário na agenda.
O senador Flávio Bolsonaro. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
O senador Flávio Bolsonaro. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico

Jornalista do Diário Carioca.

A peregrinação de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, sob o pretexto de alinhar uma pré-candidatura presidencial para 2026, revelou a crueza da hierarquia imperialista: o Império não tem amigos, apenas interesses e capatazes.

Enquanto o Departamento de Estado concentra seus esforços na ocupação militar da Venezuela — uma operação ostensiva voltada para o roubo sistemático de petróleo — o senador carioca foi relegado à antessala do desprezo.

O episódio não apenas expõe a irrelevância internacional do bolsonarismo tardio, mas também acentua a crise de identidade de uma família que, privada do poder central e com o patriarca encarcerado em Brasília, tenta desesperadamente mimetizar um prestígio que o governo Trump já não se sente obrigado a encenar.

OS FATOS:

  • O senador Flávio Bolsonaro retornou dos EUA sem conseguir o encontro pleiteado com o Secretário de Estado, Marco Rubio.
  • A cúpula trumpista priorizou a coordenação da invasão à Venezuela e o sequestro de Nicolás Maduro, ignorando a agenda da comitiva brasileira.
  • De dentro da prisão, Jair Bolsonaro enviou ordens para que os filhos cessem as hostilidades contra o “Centrão” e unifiquem a base para 2026.

A DIPLOMACIA DO PIRES NA MÃO

A tentativa de Flávio Bolsonaro de extrair uma chancela política de Marco Rubio é o capítulo mais recente do “complexo de vira-lata” que pauta a extrema-direita nacional. Ao tentar vender a imagem de um “craque das relações internacionais” em referência ao irmão, Eduardo, Flávio esbarrou na indiferença burocrática de uma Washington que, no momento, está mais interessada em gerir a pilhagem de recursos naturais na América do Sul do que em posar para fotos com parlamentares sul-americanos em busca de curtidas.

O isolamento do senador em solo americano é um espelho do seu isolamento doméstico. Enquanto Flávio tenta ensaiar um “roadshow” moderado ao lado de Tarcísio de Freitas para abril, a ala radical do bolsonarismo — representada pela retórica beligerante de Eduardo — continua a colidir com a pragmática do “Centrão”, a quem o patriarca preso agora implora por clemência e aliança. O paralelo histórico com as missões submissas de oligarquias coloniais do século XIX é evidente: o emissário viaja à metrópole para oferecer lealdade, mas volta apenas com o silêncio dos corredores do poder.

A Geopolítica do Descarte: Expectativa vs. Realidade

Elemento da ViagemExpectativa do Clã BolsonaroRealidade Geoestratégica (2026)
Encontro com Marco RubioFoto de impacto para legitimar a candidatura 2026Ignorado; Rubio focado na operação de petróleo na Venezuela
Imagem InternacionalLiderança da direita conservadora nas AméricasPercebidos como satélites de baixa prioridade e instáveis
Unidade InternaAlinhamento total sob as ordens de Jair (da prisão)Divisão entre o radicalismo de Eduardo e o pragmatismo de Flávio

O RECADO QUE VEM DAS GRADES

As orientações de Jair Bolsonaro, transmitidas por Flávio, revelam um líder que, embora encarcerado pela trama golpista, ainda tenta manobrar as peças do tabuleiro para evitar a extinção política do seu sobrenome. O pedido de “união” e o cessar-fogo contra o Centrão são sinais claros de que o bolsonarismo entrou em modo de sobrevivência. Contudo, ao serem ignorados pelo alto escalão de Trump, os filhos do ex-presidente confirmam que a estética do “servilismo voluntário” — inaugurada com a continência à bandeira americana — nunca foi uma via de mão dupla, mas apenas uma permissão para serem espectadores do avanço imperial na região.

O isolamento de Flávio Bolsonaro nos EUA pode comprometer a formação de uma chapa competitiva com Tarcísio de Freitas em 2026?

Politicamente, o “mico” internacional enfraquece a narrativa de que o bolsonarismo possui as chaves de Washington, um ativo central para o eleitorado conservador. Se o governo Trump prefere agir de forma unilateral na região sem consultar ou prestigiar seus aliados locais, a figura de Tarcísio de Freitas pode se tornar o plano B inevitável de uma direita que busca o poder, mas percebe que o sobrenome Bolsonaro tornou-se um passivo diplomático pesado demais para ser carregado.

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