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Primeira-dama de SP quer transformar o Planalto em conselho de administração: “Novo CEO”

Cristiane Freitas flerta com a estética tecnocrata e escala Tarcísio para 2026; a direita tenta trocar o "Capitão" pelo "Executivo" enquanto as privatizações viram promessa de campanha.
Cristiane e Tarcísio de Freitas. — Foto: Reprodução / Redes Sociais
Cristiane e Tarcísio de Freitas. — Foto: Reprodução / Redes Sociais
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico

Jornalista do Diário Carioca.

A primeira-dama do estado de São Paulo, Cristiane Freitas, resolveu abandonar o figurino da discrição para lançar o balão de ensaio mais explícito da temporada sucessória. Ao comentar um vídeo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), Cristiane afirmou que o Brasil “precisa de um novo CEO”, uma expressão que carrega todo o verniz neoliberal de quem enxerga a República não como uma construção social, mas como uma empresa à beira da falência. A mensagem, disparada nesta terça-feira (13), é o grito de guerra de uma ala que tenta desbolsonarizar a estética da direita, trocando a retórica do fuzil pela planilha de Excel.

No vídeo em questão, o governador de São Paulo entoa o mantra das privatizações, do Estado mínimo e do “investimento” (leia-se: entrega de ativos públicos), enquanto desfere ataques previsíveis ao governo federal. Embora Tarcísio ainda brinque de esconde-esconde com a candidatura presidencial, as palavras de sua esposa funcionam como um GPS para o mercado financeiro e para os órfãos do lavajatismo que buscam um rosto mais “limpo” para o conservadorismo em 2026.

A fala de Cristiane também expõe a rachadura no casco da direita. Enquanto os herdeiros diretos do clã Bolsonaro cobram fidelidade cega e tentam viabilizar o nome de Flávio Bolsonaro, o grupo de Tarcísio opera na frequência da eficiência administrativa, tentando atrair o centro e o empresariado que ainda tem alergia aos modos da caserna. O termo “CEO” é a senha para uma tentativa de privatizar o próprio conceito de presidência, transformando o cidadão em cliente e o governante em um gerente de ativos.

A República S.A. e o fetiche da gestão

A tentativa de tratar o Brasil como uma corporação privada ignora um detalhe fundamental: uma empresa visa o lucro dos acionistas, enquanto um país deve visar o bem-estar dos seus cidadãos. O “modelo CEO” de Tarcísio, festejado por Cristiane, é o mesmo que entregou a água e a energia de São Paulo a grupos privados, gerando apagões e tarifas salgadas. Para o Diário Carioca, a metáfora empresarial é apenas o disfarce de um projeto que pretende liquidar o que resta da soberania nacional sob o pretexto da “modernização”.

O Xadrez Sucessório da Direita em 2026

PlayerEstratégia DeclaradaPerfil de CampanhaObstáculo Principal
Tarcísio de FreitasO “CEO” e o Gestor.Focado em infraestrutura e privatização.Fidelidade da base bolsonarista raiz.
Flávio BolsonaroO Herdeiro de Sangue.Focado em pautas de costumes e defesa do clã.Resistência do centro e do mercado.
Michelle BolsonaroA Missionária.Focado no eleitorado evangélico e feminino.Falta de experiência executiva.
Oposição (Esquerda)O Estado indutor.Focado em justiça social e soberania.Manter a unidade contra o avanço neoliberal.

“Efeito CEO”

Cristiane Freitas deu o tom do que será a campanha da direita moderada: menos “Deus, Pátria e Família” e mais “EBITDA, ROI e Privatização”. No entanto, o Brasil não é uma startup e o povo brasileiro não aceita ser demitido do Orçamento. A tentativa de Tarcísio de se equilibrar entre o bolsonarismo e a Faria Lima está ficando cada vez mais estreita. O “novo CEO” pode descobrir que, no tabuleiro da política real, o conselho de administração que decide o destino de um líder é o povo na urna, e esse não aceita ser trocado por um algoritmo de mercado.


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