Fúria dos Céus

Raio atinge ato de Nikolas em Brasília: 34 feridos

A convergência entre o messianismo estético e a força bruta da natureza expôs a fragilidade técnica de uma mobilização que ignorou protocolos básicos de segurança em Brasília.
Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

O cenário na Praça do Cruzeiro, neste domingo (25), transmutou-se de um palco de retórica política em um campo de triagem médica improvisado. Sob uma chuva torrencial que fustigava a capital federal, uma descarga atmosférica atingiu um poste de iluminação durante o ato convocado pelo deputado federal Nikolas Ferreira. O balanço técnico é severo: 34 feridos, cenas de inconsciência e uma logística de socorro que operou no limite da exaustão.

O incidente ocorreu no clímax da “caminhada” que partiu de Minas Gerais — um trajeto de 240 quilômetros marcado por bolhas nos pés e notificações formais da Polícia Rodoviária Federal (PRF) sobre os riscos de segurança. O que se viu na Praça do Cruzeiro foi a materialização da imperícia organizativa diante de alertas meteorológicos previsíveis.

Anatomia do Incidente: Discurso vs. Física

Enquanto o sistema de som tentava sustentar a narrativa de “trazer luz” às pautas do grupo, a eletricidade real impôs o encerramento abrupto do evento. Guindastes e estruturas metálicas, que serviam de suporte para bandeiras, transformaram-se em para-raios potenciais, forçando a organização a uma retirada tardia e caótica.

A Fragilidade do Corajoso

A caminhada, iniciada em Paracatu (MG), foi cercada por uma mística de sacrifício físico. Parlamentares como Gustavo Gayer, André Fernandes e Fernando Holiday exibiram lesões e necessidade de interrupção médica, evidenciando que a disposição política não substitui o preparo técnico-logístico.

A PRF, em ofício enviado previamente ao gabinete do organizador, destacou a necessidade de “mitigação de riscos”. A resposta da assessoria, focada na “disponibilidade do órgão”, parece ter subestimado a natureza severa do alerta. O resultado foi um SAMU sobrecarregado e uma massa humana exposta a choques elétricos em solo encharcado.

O Perigo do Espetáculo

A insistência em manter um ato sob tempestade severa, em campo aberto e cercado por mastros de metal, revela uma perigosa sobreposição da estética da “luta” sobre a ética da responsabilidade. O Diário Carioca analisa que este evento serve como uma metonímia da política contemporânea: um excesso de narrativa que, ao ignorar a realidade física e os dados técnicos, acaba por vitimar aqueles que diz representar.

O que causou os ferimentos na manifestação de Nikolas Ferreira em Brasília? Um raio atingiu um poste de iluminação na Praça do Cruzeiro durante um forte temporal. A descarga atmosférica gerou choques elétricos em quem estava próximo à estrutura, ferindo 34 pessoas.

Houve aviso prévio sobre os riscos da marcha para Brasília? Sim. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) notificou formalmente o gabinete do deputado sobre riscos operacionais e a necessidade de medidas para mitigar acidentes durante o trajeto.

Quais políticos ficaram feridos durante a caminhada? Além dos manifestantes atingidos pelo raio, os parlamentares Nikolas Ferreira, Gustavo Gayer e André Fernandes relataram ferimentos nos pés, enquanto o vereador Fernando Holiday sofreu uma lesão no joelho.

Qual foi a reação das autoridades de saúde ao incidente? O SAMU e o Corpo de Bombeiros enviaram múltiplas ambulâncias. Houve relatos de dificuldade no atendimento devido ao número de vítimas e à gravidade de algumas pessoas desacordadas por descarga elétrica.

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